Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2023

Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2023 259 ele nos trouxe, passamos a pensar e a adotar práticas óbvias e básicas, mas que ainda não haviam sido implantadas”, recorda Monica Czeszak. “Nossos eventos internos e externos atualmente têm tradução de libras, promovemos aulas internas de libras e estamos estudando novas práticas para tornar nossos canais digitais mais inclusivos. A diversidade só acontece na prática quando lidamos com as diferenças no dia a dia, pois abrimos o nosso olhar instantaneamente”. Ainda que tenha começado tardiamente – e o ritmo atual talvez ainda não seja o suficiente para atender às demandas da sociedade –, a mudança na forma como agências de comunicação estão olhando para a questão das práticas de Diversidade, Equidade e Inclusão é um importante indicativo de que o tema seguirá tendo papel estratégico e essencial em suas operações. Claro que essa evolução está diretamente atrelada à própria evolução da sociedade e das condições que grupos minorizados encontrarão para ocupar espaços que ainda lhes são negados. A falta de mão de obra capaz de representar mais fielmente o perfil da população ainda é muito grande para alguns grupos, enquanto o preconceito e a ignorância impedem que outros sigam uma carreira na mesma condição que as pessoas ditas “normais”. “O compromisso com a agenda de diversidade, equidade e inclusão deve ser constante para ser efetivo”, alerta Rení Tognoni, sócia da Analítica. “É importante desenvolver planos de longo prazo, com ações, projetos e narrativas que reforcem o comprometimento da empresa com essas causas e que deem suporte para que mudanças robustas de cultura e posicionamentos ocorram de fato. Não há mais espaço para divergir ou não buscar se adequar a essa agenda, pois é uma exigência hoje do mercado, do público consumidor e de grande parte de parceiros que se relacionam com as empresas”. “Acho que vamos melhorar e talvez consigamos fazer com que algumas coisas andem mais rápido”, comenta Gabriela Augusto. “É preciso enxergar a pluralidade dentro da diversidade. Não adianta defender a bandeira, mas achar que as demandas e as necessidades são as mesmas. Dentro da própria comunidade LGBTQIAP+, por exemplo, uma pessoa trans vai ter necessidades diferentes de um homem gay ou de uma mulher lésbica. Mesmo a inclusão de mulheres, discussão mais avançada, ainda falha em considerar as suas eventuais interseccionalidades raciais e culturais. Mas apesar de todos esses empecilhos, eu sou otimista”, afirma. (*) Fernando Soares é jornalista com MBA em Comunicação Corporativa e especialização em Marketing e Relações Internacionais. Desde 2011 é editor do Portal dos Jornalistas e da newsletter Jornalistas&Cia. Luana Ibelli é jornalista com pós-graduação em Influência Digital e mestrado em Televisão Digital. Esteve por seis anos e meio na EBC e atualmente apresenta o programa Bem Viver, do Brasil de Fato. Juntos, foram responsáveis pela idealização e produção do videocast #diversifica, que aborda a agenda de Diversidade, Equidade e Inclusão no Jornalismo e no mercado de Comunicação.

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