Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 106 MERCADO DA COMUNICAÇÃO CORPORATIVA FORNECEDORES O mercado de comunicação construiu, ao longo de décadas, uma cultura marcada por urgências permanentes, jornadas imprevisíveis e processos improvisados. Durante muito tempo, isso foi tratado como parte inevitável do ofício. Mas não precisa ser assim: é possível produzir com excelência sem transformar o trabalho em desgaste. Defender uma cultura de trabalho sustentável é, antes de tudo, defender a confiança. Processos bem definidos não apenas reduzem ruídos e evitam retrabalho, como também criam um ambiente de previsibilidade – base para sustentar relações de confiança. Isso permite que as equipes concentrem energia no que realmente importa: pensar, criar modelos e executar com qualidade. Quando o método existe, o improviso deixa de ser regra e passa a ser exceção. Outro pilar fundamental é o bom ânimo. Em ambientes de comunicação, o clima de trabalho não é um detalhe e sim uma condição. Bom ânimo não significa ausência de cobrança ou de metas ambiciosas. Significa cultivar relações respeitosas e uma atmosfera de colaboração genuína. Na Barões Brand Publishing, esse entendimento levou-nos a apostar, desde o início da empresa (há quase 10 anos), no trabalho remoto. Em um setor ainda fortemente apegado ao presencial – mais por hábito do que por eficácia –, vimos na prática que equipes remotas, bem-organizadas e conectadas por processos estruturados, podem ser altamente produtivas. O foco desloca-se do controle do tempo para a qualidade das entregas. Esse caminho também exige escuta constante e compromisso real com o bem-estar da equipe. Foi com esse princípio que buscamos a certificação do Great Place to Work (GPTW), que reconhece empresas com altos níveis de confiança entre colaboradores, e fomos surpreendidos com a 3ª posição no ranking de agências de comunicação do nosso porte (até 100 colaboradores). Ao mesmo tempo, esse tipo de avaliação expõe um contraste incômodo no setor. Muitas grandes agências optam por não se submeter a qualquer tipo de metodologia independente de avaliação de clima ou cultura. A ausência dessas medições acaba funcionando como uma zona de conforto institucional. Quem perde com isso são os profissionais, frequentemente submetidos a rotinas desgastantes de trabalho, que continuam sendo naturalizadas pelo mercado. É necessária a construção de uma indústria de comunicação mais madura, ao tornar visível aquilo que por muito tempo ficou oculto. Avaliar a cultura, ouvir as equipes e assumir publicamente as críticas é um passo essencial para transformar o ambiente de trabalho do setor. Este texto é, portanto, um convite: que mais empresas tenham a coragem de ouvir, revisar processos e colocar as pessoas no centro estratégico do negócio. Construir esse novo padrão de cultura de trabalho é uma responsabilidade coletiva de todo o mercado. Joana Carvalho, gestora de Operações e Pessoas na Barões Brand Publishing Por uma cultura de trabalho sustentável na comunicação
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