Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 279 vésperas da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP30, realizada em novembro do último ano em Belém. “Muitos jornalistas que estariam na Conferência não haviam participado de COPs anteriores e não dispunham de bagagem suficiente para fazer uma boa cobertura. Resolvemos, então, ajudá-los a cumprir as suas tarefas”, diz Leandro Modé, diretor de Comunicação e Marca da Vale, que durante mais de uma década, de 2000 a 2013, atuou como repórter e editor, entre outros veículos, em UOL, Bloomberg, Forbes Brasil, Foco Economia e Negócios e O Estado de S. Paulo. De início, a mineradora limitou suas apostas ao Amazônia e COP30, um workshop online com três painéis de 50 minutos desenhado a seis mãos com os portais de notícias Capital Reset e Amazônia Vox. Realizado em 5 de dezembro de 2024, o evento superou as expectativas: as inscrições tiveram de ser suspensas antes do prazo final, pois as 30 vagas disponíveis foram rapidamente preenchidas, dando origem, na sequência, a uma fila de espera de 20 candidatos. Em razão do interesse, Modé e sua equipe decidiram tocar o barco em frente, considerando o workshop como ponto de partida de um curso, ou melhor, de uma “trilha de capacitação” para jornalistas com amplo leque temático: produção científica e cobertura jornalística; biodiversidade e restauração de ecossistemas; cobertura climática e ferramentas para produção de conteúdos; crise climática e soluções da floresta etc. Dois tópicos receberam especial atenção na grade curricular: transição energética e descarbonização (leia-se a substituição de combustíveis fósseis por minerais) e conservação ambiental, seara na qual a Vale conta com um “senhor” cartão de visitas. O trunfo em questão são os 800 mil hectares sob concessão da empresa na Floresta Nacional de Carajás, no sul do Pará, fonte de 60% da sua produção de minério de ferro. “Só 3% dessa área, que é cinco vezes maior do que a cidade de São Paulo, são ocupados pela mineração. O restante é preservado pela Vale em conjunto com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o ICMBio – ao contrário da floresta no entorno, que foi quase que totalmente devastada desde que a empresa chegou ao local, há mais de 40 anos”, diz Modé. A “trilha de capacitação”, que também recebeu ideias e sugestões da Agência Bori, especializada em jornalismo científico, teve mais quatro encontros virtuais e um presencial, de 17 de maio a 28 de agosto de 2025. No total, incluindo a turma do workshop, 138 jornalistas de 49 veículos assistiram às cerca de 12 horas de apresentações. O “corpo docente”, além de consultores, executivos e jornalistas, contou com quatro acadêmicos: os engenheiros florestais Niro Higuchi e Lydiane Bastos, pesquisadores do Instituto Nacional de Pequisas da Amazônia (INPA); e as biólogas Ana Albernaz, pesquisadora do Museu Paraense Emílio Goeldi, por ela dirigido de 2018 a 2022, e Aliny Pires, coordenadora do Laboratório de Ecologia e Conservação de Ecossistemas do Departamento de Ecologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (LECE/UERJ). Em paralelo às aulas, a Vale organizou para a imprensa, entre março e agosto de 2025, sete tours pela Floresta Nacional de Carajás. Participaram das excursões 36 jornalistas de 27 veículos, casos de Folha de S.Paulo, O Globo, Reuters e Agência Estado, que conheceram, em duplas jornadas, as operações da empresa no local, incluindo a moderna mina S11D, o BioParque Vale Amazônia, projetos comunitários, como Mulheres de Barro e Filhas do Mel etc. O esforço foi recompensado com cerca de cem reportagens espontâneas sobre as press trips pela Amazônia. “A intenção era mostrar fauna, flora, comunidades indígenas e ribeirinhas que estão sob a copa das árvores, viabilizando o entendimento de como a Vale se relaciona com todos esses aspectos na Amazônia e de como é possível minerar dentro de um bioma tão importante”, diz Modé. O programa de treinamento alcançou sucesso de crítica e público. A “trilha de capacitação” foi considerada, em pesquisa de satisfação, “excelente” e “muito boa” por 96% dos jornalistas que a percorreram e o pacote completo, somando aulas e excursões, rendeu à mineradora o prêmio Jatobá PR 2025 na categoria Projeto Especial de organizações empresariais ou públicas. A estratégia de comunicação permanece a mesma. Para os próximos meses, estão previstos cursos de capacitação para a imprensa em mineração e descarbonização. Além disso, a empresa continua a recorrer a press trips, e não apenas para apresentar a sua joia da coroa, em Carajás. “Continuamos a levar jornalistas a Brumadinho. É preciso que eles conheçam o processo de reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem naquela cidade, em janeiro de 2019”, diz Modé, referindo-se ao desastre socioambiental provocado pelo depósito de rejeitos da Vale no referido município mineiro, que custou 272 vidas e contaminou o rio Paraopeba. (*) Dario Palhares é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e acumula, em 40 anos de trajetória profissional, passagens por importantes veículos, casos de O Globo, Folha de S.Paulo, Exame e A Tribuna (Santos), e em comunicação corporativa. Autor de livros e artista plástico nas horas vagas, dedica-se atualmente à produção de conteúdos e ao desenvolvimento de projetos de memória corporativa, familiar e esportiva.
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