Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026

Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 90 MERCADO DA COMUNICAÇÃO CORPORATIVA BUTIQUE Em premiações, eventos e diferentes ocasiões, é comum homenageados agradecerem a quem veio antes e abriu caminhos. Frases como “não estaria aqui sem meus ancestrais” ou “devo aos meus mentores e professores” refletem o reconhecimento de um legado que também ajudou a construir a comunicação corporativa no Brasil, hoje um setor competitivo e eficiente – mas nem sempre foi assim. Quando eu era repórter, anos 1980, pouco se falava em assessorias de imprensa. As pautas chegavam às redações, sim, mas eu apenas as recebia e fazia as matérias. Com o tempo, a necessidade de acesso a fontes, autoridades e informações de interesse público impulsionou o crescimento das agências e consolidou o papel das assessorias lideradas por jornalistas. Mudei de lado do balcão em 1986, quando fui contratada para trabalhar em uma agência. Aprendi o funcionamento e atendia a marcas famosas do setor. Resolvi atuar por conta própria e fundei minha empresa em 1993. Passados alguns anos, participei de um Encontro de Jornalistas em Assessoria de Imprensa, em 1999, promovido pelo Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Ali, conheci a Comissão de Jornalistas responsável pela criação do primeiro manual da área, em 1985, e que depois foi nacionalizado pela Fenaj. Nessa comissão, entre outros colegas jornalistas engajados, estavam Eduardo Ribeiro e Marco Rossi. Naquele momento, o principal desafio era melhorar a relação entre redações e assessorias, marcada por tensões e excessos nas relações. Foi então que formamos um grupo de trabalho, saído daquele encontro, que criou um projeto inédito. Reuniu profissionais dos dois lados para discutirem, frente a frente, boas práticas, com base em uma pesquisa de mercado da H2R. O resultado foi o livro-documento Relações Assessorias e Redações (1999), referência para o mercado e universidades. A partir daí, passei a atuar no Sindicato, como diretora. Contribuí para fortalecer o segmento, promovendo encontros anuais e workshops mensais. Nos eventos da Fenaj, vi muitos profissionais dedicados à profissionalização da área. Mais tarde, já na vice-presidência da entidade, participei da criação do Guia de Comunicação para Feiras e Eventos, após relatos de dificuldades enfrentadas por assessores ao cobrirem feiras. Mesmo após deixar o Sindicato, segui na profissão e acompanhei nosso crescimento, impulsionado pelo esforço de quem acreditou no valor da comunicação corporativa. Hoje, contamos com o Anuário da Comunicação Corporativa, que norteia o setor e dois importantes e almejados prêmios de comunicação organizados pela Mega Brasil. Iniciativas, estas, que elevaram o nível do segmento a patamares inimagináveis. O engajamento dos nossos “dinossauros” foi o que contribuiu para esse caminho de profissionalização, a cada vez que dedicaram seu tempo para construir conceitos, guias, manuais, métodos, processos e inovações lá atrás – mantendo esse compromisso até hoje. Mara Ribeiro, diretora e fundadora da Mara Ribeiro Assessoria de Comunicação Multimídia Um legado para rememorar

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