Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 103 Há 30 anos, quando comecei na assessoria de imprensa, o trabalho tinha outro ritmo e outro cheiro. Cheiro de papel carbono, de release impresso, de envelope selado. A máquina de escrever era a nossa principal ferramenta. Não havia fax e nem e-mail. O release? Ia pelo correio, e a espera pela publicação poderia levar dias. O mercado de mídia na época também era mais farto: havia muito mais espaço editorial, com a diversidade de jornais e revistas. E a concorrência entre assessores também era muito menor. Éramos poucos, e o caminho até o jornalista era mais direto e mais simples. Com o advento da internet, muita coisa mudou. Veículos tradicionais fecharam e aquele espaço editorial, antes robusto, encolheu. A informação multiplicou-se, não há dúvidas, mas a atenção do público ficou mais disputada. A assessoria migrou da máquina de escrever para o omnichannel. E o papel do assessor de imprensa precisou reinventar-se para não desaparecer. Hoje, o mercado está em transformação acelerada, e digo que quem não inova não sobrevive. Não é uma metáfora: é o que vemos acontecer. A assessoria que ainda opera no modelo de “divulgar notícia” já ficou para trás. Gosto de trazer o conceito de omnicanalidade do marketing para a assessoria, porque é exatamente isso que ela se tornou. Hoje, não basta pensar em um release: é preciso pensar em uma pauta que sirva a diferentes canais, desde a imprensa, as redes sociais, o conteúdo digital. O assessor moderno precisa entender que as empresas têm múltiplos públicos, como clientes, funcionários, investidores, comunidades e stakeholders de toda natureza, e que cada um desses grupos exige uma comunicação específica, estratégica e autêntica. Isso significa estar ao lado da liderança. Não apenas como porta-voz, mas como parceiro estratégico. O assessor de hoje precisa entender o negócio do cliente do ponto A ao ponto Z – seus desafios, seu mercado, sua cultura. Só assim é possível orientar com consistência, antecipando crises, construindo reputação e gerando valor real. Na Si Comunicação, é esse o trabalho que nos move há anos. Preocupamo-nos genuinamente em entender o negócio de cada cliente: seu mercado, seus desafios, seus públicos, sua cultura. Não chegamos com um modelo pronto: chegamos com perguntas. Onde está a empresa hoje? Aonde quer chegar? Quem precisa ouvir essa história e por qual canal? É a partir dessas respostas que construímos estratégias que façam sentido para quem está dentro e para quem está fora da organização. O futuro da assessoria pertence às agências que pararam de apenas divulgar releases e passaram a construir lado a lado com quem lidera, entendendo o negócio de dentro para fora. Afinal, em um mundo em que tudo comunica o tempo todo, o diferencial não está em falar mais alto. Está em falar com inteligência, com estratégia e, acima de tudo, com propósito. Silvana Inácio, CEO e fundadora da Si Comunicação O negócio no centro da comunicação
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