INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 196 so saber se comunicar com a máquina, pois um prompt bem-feito faz toda a diferença na qualidade e confiabilidade da reposta que a IA irá trazer. Tão importante quanto fazer a pergunta certa é contar com ferramentas robustas que unam performance e preservação do sigilo dos dados, características que as IAs ofertadas gratuitamente ou em assinaturas básicas não são capazes de garantir. Daí a necessidade de desenvolver internamente sistemas aptos a dar conta desde tarefas mecânicas e trabalhosas – como a criação e a atualização de sites corporativos, transcrição de textos em vídeo ou áudio e a qualificação de um clipping – até atividades mais sofisticadas, como a análise de contexto no qual o cliente está sendo citado na mídia, em relação à concorrência. E isso é possível graças ao uso de arquiteturas robustas de IA que garantem não apenas a extração de dados em larguíssima escala, como também a sua classificação em sintonia fina com as necessidades de cada projeto ou iniciativa. Uma das que se destacam nesse segmento é a Charisma, martech criada em 2020 e que hoje integra o Grupo Nexcom. “É como se existisse uma vida antes e outra totalmente diferente depois da IA”, resume Lucas Brasil, fundador e CEO da Charisma. Mesmo com todas as credenciais positivas, ele acredita que a IA sempre seguirá como uma coadjuvante do trabalho humano. “Ela é um braço excelente no processo de cocriação”, destaca. “Mas o fator humano ainda é indispensável em atividades como a comunicação corporativa, na qual a visão estratégica é um diferencial importante”. A síntese de todas as conversas com gestores e empreendedores do setor de comunicação corporativa (cujos resumos podem ser conferidos a partir da página 205) é que as ferramentas de IA vieram para ficar. A diferenciação entre as empresas se dará pelo uso desse arsenal tecnológico no desenvolvimento de soluções cada vez mais customizadas para as necessidades específicas do cliente. O horizonte delineado por alguns dos principais líderes do setor não contempla a substituição de pessoal por chatbots, agentes de IA ou um ciborgue. Ao contrário. O sentimento médio é de que a presença humana vai manter-se relevante e indispensável. O que vai mudar é o perfil do profissional: cada vez mais estratégico e menos operacional. Exatamente como pontificado por Renier Souza, diretor de Engenharia da Cisco, em recente publicação acerca dos efeitos da IA no cotidiano das corporações: “O ano de 2026 exigirá mais do que alfabetização básica em IA. As empresas precisarão de um currículo full stack ao longo de todas as carreiras – cobrindo desde fundamentos de redes e cibersegurança até ciência de dados, vibe coding e capacidades avançadas de IA. Organizações visionárias focarão em desenvolver competências internamente, nutrindo os talentos que já possuem. Os líderes da próxima década irão além da dicotomia ’técnico vs. não técnico‘, criando especialistas híbridos que orquestram inteligência, em vez de apenas gerar insumos. Democratizar a profundidade técnica garante que colaboradores aprimorados tornem-se arquitetos da era da IA”. Lucas Brasil, da Charisma: o fator humano ainda é indispensável em atividades como a comunicação corporativa, na qual a visão estratégica é um diferencial importante
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