ELEIÇÕES Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 214 Em seguida, o passo maior, de natureza claramente bélica, em parceria com Israel, deu-se o bombardeio ao Irã, que causou a morte do Aiatolá Khamenei, chefe religioso e político do país, e jogou toda a região para dentro do conflito. Assim, o presidente Trump, que se proclamava defensor da paz e reivindicava ganhar o Prêmio Nobel como batalhador dessa causa, pôs fogo no mundo, desestabilizando todas as relações políticas e econômicas ao redor do globo. Os panoramas aqui descritos têm o potencial de influir se 2026 será um ano mais desafiador ou alentador para os brasileiros, e claro, para o resto do mundo. Será dentro desse quadro que os departamentos de comunicação das empresas e as agências que os atendem estarão trafegando até o fim de 2026. Temas esportivos, como o futebol, são mais palatáveis para a comunicação empresarial, em alguns casos obrigatórios, e abrem amplos espaços para mensagens de variados tipos, como comemorativas, de reconhecimento de esforços e tentativas enfim de uma variada gama de conteúdos, até de consolo para os brasileiros se a seleção de futebol não trouxer a Copa do Mundo mais uma vez. Já os conflitos militares ao redor do mundo são temas delicados, cuja abordagem não está no escopo das empresas e suas agências, a não ser em casos e circunstâncias específicos, como eventuais companhias ou instituições que tenham alguma relação com as disputas em andamento e possam comunicar algo importante para elas ou para as comunidades a que estão ligadas. Alinhamentos político-partidários “Em um ano eleitoral, o principal desafio da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) é manter-se fiel à sua natureza institucional e histórica de entidade apartidária, princípio que orienta sua atuação ao longo de quase seis décadas de existência”, afirma Paulo Nassar, presidente da entidade e professor titular da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). “Em períodos marcados por maior polarização política e intensificação do debate público, torna-se ainda mais relevante preservar esse posicionamento, garantindo que a Aberje continue sendo um espaço de reflexão, troca de experiências e desenvolvimento profissional no campo da comunicação organizacional, independentemente de alinhamentos político-partidários”. Nesse contexto, a Aberje, segundo Nassar, busca reafirmar seu compromisso com valores como ética, transparência, responsabilidade institucional e qualidade do debate público, sem falar na inegociável liberdade de imprensa e expressão. E, o mais importante, de acordo com ele: respeitar a pluralidade de posições existentes entre suas associadas, que atualmente ultrapassam mil organizações. Mudança na forma de comunicação Do outro lado do balcão, como se costumava dizer nas redações antigamente, está a Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom), entidade que representa as agências cuja clientela são as empresas industriais e comerciais, bancos, associações e entidades em geral, em busca de espaço, de preferência favorável, nos meios de comunicação. Seu presidente, Fábio Santos, também líder de uma das maiores agências de comunicação do País, a CDN, está empenhado em fortalecer a entidade e o setor, formado por pouco mais de mil empresas, cuja maioria varia de médio para pequeno porte. No dia 25 de março passado, a entidade realizou o seu 4° Fórum de Comunicação, sobre o tema A Comunicação do Futuro, em que foi realizada uma ampla discussão sobre questões e desafios que impactam as atividades do setor atualmente. Houve exposições sobre inteligência artificial, big techs, mídia, credibilidade pública e outros variados temas que podem influenciar as relações entre as agências, seus clientes e os diversos meios de comunicação hoje existentes. Na visão da própria entidade, “durante o Fórum ficou evidente uma mudança na forma como a comunicação vem sendo praticada”. Qual a mudança? A comunicação “saiu de um foco centrado apenas no discurso para uma atuação cada vez mais orientada por dados, evidências e contexto, sem abrir mão do olhar humano, crítico e estratégico”, segundo relato da própria Abracom sobre o evento. Cenário desafiador Quanto à empresa que dirige, a CDN, Fábio Santos lembra que 2026 começou com boas perspectivas, muito trabalho, mas manifestou preocupação com o comportamento do mercado no se-
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