Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 225 EUA. Essas rotas comerciais alternativas representam o futuro, que pertencerá aos comunicadores capazes de navegar por culturas, perspectivas e pontos de vista diversos. Agências que desenvolvem e recrutam esse tipo de talento estarão mais bem posicionadas. Desintermediação Não se trata apenas de criptomoedas e bancos sendo ”desintermediados”. Trata-se também de centros tradicionais, como Miami, Nova York e Londres, sendo totalmente contornados. Estamos vendo lançamentos na América Latina sendo gerenciados a partir de Dubai, Bangalore e Singapura. Já gerenciamos eventos diretamente com clientes e agências em Seul e Kuala Lumpur, locais que dificilmente seriam considerados hubs tradicionais. As marcas já não estão mais “seguindo automaticamente” modelos tradicionais baseados na Europa ou nos EUA. A oportunidade está aí para que agências latino-americanas a aproveitem. Multipolaridade e “empatia profunda” As mudanças e contra-mudanças geopolíticas que vemos nas notícias estão sendo replicadas no ambiente comercial. Embora países como Índia e China tenham sido usados como ferramenta estratégica para engajar a América Latina, eles provavelmente enfrentarão uma nova concorrência dos EUA por recursos e acesso a mercados. Ainda que isso seja excelente para o crescimento econômico e as oportunidades, também exigirá uma capacidade sem precedentes de enxergar o mundo a partir de múltiplas perspectivas. Nosso setor estará no centro desse movimento, e esperamos que impulsionando esse crescimento. A empatia profunda será nossa arma mais poderosa. Campanhas bidirecionais Diante disso, é apenas uma questão de tempo até que as marcas comecem a se comunicar globalmente a partir da América Latina como hub. Em vez de receber diretrizes de centros estabelecidos, será a nossa vez de coordenar. À medida que a América Latina ganha protagonismo, a capacidade da região de absorver e “tropicalizar” tendências globais se tornará inestimável. Essas são algumas das nossas reflexões e aspirações para garantir que, do ponto de vista da comunicação, o momento global da América Latina dure mais do que o espetáculo grandioso de intervalo produzido por Bad Bunny. Cláudia Daré e Roger Darashah
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