Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026

ELEIÇÕES Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 224 A América Latina está ganhando manchetes. A participação de Bad Bunny no show do intervalo do Super Bowl deste ano foi apenas o exemplo mais recente. Durante a apresentação, o porto-riquenho tornou-se o primeiro artista a conduzir todo o espetáculo, que culminou em u m desfile de bandeiras nacionais de toda a região. 33 países nomeados um a um. A América Latina estava, literalmente, sendo colocada no mapa. Mas, para nós que vivemos e trabalhamos no continente latino, o recente protagonismo da região dificilmente é novidade. E não se trata apenas de soft power. Politicamente, a nova administração nos EUA impôs a Doutrina Monroe – uma primazia incontestável sobre o hemisfério “ocidental” – como um princípio central. Se analisarmos a América Latina sob o ponto de vista econômico, a região representa um território cada vez mais estratégico, por sua população crescente e próspera, pela ausência de conflitos armados entre nações e pela disponibilidade de commodities comercializáveis (de soja a petróleo), mas também de metais de “terras raras”, como o lítio, que se tornaram um componente indispensável da transição energética. Financeiramente, a América Latina está registrando a adoção mais rápida de criptomoedas no mundo. No último ano, a região triplicou o volume de transações. Os cidadãos estão usando stablecoins para reduzir o custo e a complexidade das remessas internacionais, para proteger suas economias da inflação das moedas locais ou para acessar produtos e serviços que, de outra forma, não estariam disponíveis. As criptomoedas estão se tornando um caminho para a inclusão e participação financeira – uma alternativa viável e segura à economia baseada em dinheiro. No cenário esportivo, o México sediará 13 partidas da Copa do Mundo este ano, e a região conta com dois verdadeiros favoritos ao título, Argentina e Brasil (lo sentimos, México). Tudo isso significa mais protagonismo e tempo de exposição para a América Latina. Os olhos do mundo também se voltam, cada vez mais, para a produção cultural da América Latina. Do cinema que ganha espaço nos principais festivais internacionais à moda que traduz identidade, diversidade e autenticidade, passando pela arte contemporânea que dialoga com questões globais, a região deixou de ser apenas fonte de inspiração para se tornar referência. Para grandes marcas, esse movimento representa uma oportunidade estratégica: conectar-se a uma estética e a narrativas que carregam originalidade, relevância cultural e capacidade real de influenciar comportamentos e tendências em escala global. Mas o que tudo isso significa em termos de oportunidades e expectativas para a nossa profissão? Há pelo menos quatro tendências-chave para observar e, sempre que possível, explorar: Rotas comerciais alternativas A América Latina responde por um terço das exportações globais de carros e motocicletas da Índia, com o México representando o segundo maior mercado externo para carros e a Colômbia, para motocicletas. O padrão se repete com a China, cujo comércio com a América Latina cresceu de US$ 12 bilhões para US$ 315 bilhões entre 2000 e 2020, ficando atrás apenas do comércio da região com seu vizinho territorial, os Muito além de Bad Bunny, a América Latina seduz o mundo Por Cláudia Daré e Roger Darashah, cofundadores e diretores da Latam Intersect

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