Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 265 público acostumado ao modelo tradicional da TV aberta. A agência criou uma operação de PR 360º, que acompanhou todas as fases, do anúncio ao lançamento e sustentação, transformando Beleza Fatal em assunto recorrente na mídia e nas redes. A campanha contou com divulgação das sinopses e acesso antecipado aos capítulos para preparação de matérias, evento proprietário, visitas de jornalistas ao set de filmagem, coletiva, entrevistas one-to-one e conteúdos estratégicos, ativando picos de atenção e consolidando o título como um marco no streaming. “Como a audiência iria entender capítulos semanais e não diários?”, indaga Laura Chiavenato, VP de Saúde e Consumo da agência. “Precisávamos trazer jornalistas e influenciadores orgânicos para entenderem essa nova abordagem. Uma das curiosidades foi que recriarmos a revista Ti ti ti, que nesse caso se chamava Ki ki ki e trazia temas da atriz Camila Pitanga. É um bom exemplo de inovação no arroz com feijão, reforçando que há sempre espaço para melhorar, evoluir”. O impacto registrado foi de 4.685 matérias, mais de 31,2 bilhões de alcance potencial e Ad Value de R$ 250,2 milhões. Beleza Fatal é um bom exemplo de como PR pode se tornar protagonista na geração de valor de negócios, cultura e audiência. Case do Ano de Grande Agência no Prêmio Jatobá PR 2025, o Free The Voices, da LLYC, tratou de dar visibilidade ao movimento de criar o primeiro banco de vozes sintéticas diversificado a partir de áudios doados pela comunidade LGBTQ+. A voz é muito mais do que som: ela transmite identidade, cultura e pertencimento. No entanto, a maioria dos sistemas de inteligência artificial optou por vozes “neutras”, tornando invisíveis os sotaques, cadências e tons ligados à diversidade. Esse viés tecnológico reforçou estereótipos e excluiu comunidades historicamente sub-representadas, como a comunidade LGBTQ+. A Monoceros Labs decidiu transformar esse problema em uma oportunidade com o Free The Voices, primeiro repositório de vozes sintéticas diversas criado a partir das doações voluntárias de mais de 1.200 pessoas de 12 países. Graças a técnicas de aprendizado profundo e modelagem acústica, essas contribuições deram vida a cinco novas vozes que refletem a pluralidade de gênero, orientação e identidade em quatro idiomas: espanhol, inglês, português europeu e português brasileiro. A campanha transformou a coleta de dados em um ato cultural e simbólico: doar a própria voz significava fazer-se presente na tecnologia. Em apenas dois meses, a iniciativa gerou 15.000 gravações de áudio em podcasts, videogames, educação e assistentes virtuais, posicionando a Monoceros Labs como líder em inovação inclusiva e gerando mais de 650 menções na mídia. Os países participantes foram Brasil, México, Colômbia, Argentina, Panamá, Peru, República Dominicana, Equador e Chile. A utilização da plataforma e o uso das vozes são gratuitos. “O público jornalista, por exemplo, está cada vez mais reduzido e difícil de ter sua atenção despertada. Essa plataforma ajuda a mostrar nossa capacidade de criatividade. A forma como o mercado prioriza a comoditização, o status quo”, informa Diego Olavarria, sócio da LLYC e diretor-geral no Brasil. “Mas com a inteligência artificial já entramos em um momento de ruptura, vai fazer com que trabalhemos de outra forma a comunicação”. (*) Renato Acciarto é jornalista, pós-graduado em gestão pela FEI, com MBA em marketing executivo pela ESPM. Repórter e editor em veículos relevantes, como o jornal de negócios Gazeta Mercantil, no universo corporativo atuou na gerência de Comunicação Corporativa em multinacionais como Mercedes-Benz, General Motors e Volkswagen. Atualmente é consultor e diretor de estratégias de Comunicação Corporativa e de Relações Institucionais na agência 2 Spread Comm. Laura Chiavenato, VP de Consumo e Saúde na Weber Shandwick
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