MEDIA TRAINING Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 276 po. Cofundador da AAB, que em 1987 foi absorvida pela Ogilvy & Mather, Rolim já oferecia ao mercado o media training, que conhecera, havia bom tempo, durante suas frequentes incursões no mercado norte-americano, onde chegou a contar com um escritório em Nova York. “Ele treinava os clientes sem o auxílio de projetores de slides e outros recursos. Trazia as informações na cabeça e fazia tudo, como costumava dizer, ‘na base do gogó’”, conta Gaspar. O sucessor de Rolim na agência tratou de sistematizar o método de ensino. Providenciou uma série de lâminas transparentes para projeção que apresentavam conceitos e conteúdos extraídos do curso que fizera no exterior, todos “tropicalizados”. O material logo se tornaria referência no mercado – inclusive para fornecedores da casa. “Nosso primeiro convidado para um media training foi um famoso jornalista de economia que passou a promover seus próprios treinamentos”, conta Gaspar. “A seguir, lançamos versões voltadas a clientes que desejavam se aperfeiçoar como palestrantes e para aqueles que iam prestar depoimentos para autoridades, inclusive em comissões parlamentares de inquérito (CPIs), trabalho executado com o apoio de advogados”. A demanda pelo serviço, impulsionada por esforços de vendas e o providencial boca a boca, não tardou a decolar, saltando da média de um para 12 eventos de um dia de duração a cada quatro meses. Os números permaneceram robustos na G&A, fundada em 1990 por Gaspar, que seguiu por um bom tempo na condução dos treinamentos. Entre outros episódios prosaicos, ele lembra o empurrão dado no microfone por um CEO ao ouvir uma pergunta banal do entrevistador e o fiasco de um diretor de comunicação, que, com um discurso inconsistente, teve a pior avaliação num grupo de executivos de diferentes áreas de uma empresa. “A grande surpresa foi o sócio principal de um respeitado escritório de advocacia. Ele não só se saiu muito bem como ainda apresentou ótimas sugestões para o treinamento, que foram acatadas”, diz Gaspar. Hoje afastado da condução de media trainings, ele segue acompanhando à distância a evolução do serviço. Entre as principais mudanças, destaca a atenção de suas sócias na G&A, Lais Guarizzi e Heloisa Picos, com o controle emocional dos treinandos e a constante ampliação do público-alvo. “Foi-se o tempo em que esse treinamento era exclusivo para o topo da pirâmide corporativa”, diz Gaspar. “Clientes vêm demandando de forma crescente capacitação de funcionários menos graduados, mas dotados de grande expertise em suas especialidades, para palestras, apresentações e vídeos. O media training, em suma, segue mais forte do que nunca”. Agostinho Gaspar, da G&A: lições trazidas dos Estados Unidos e adaptadas ao cenário brasileiro
RkJQdWJsaXNoZXIy NDU0Njk=