Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 297 (*) Fernando Soares Clemente é jornalista com MBA em Comunicação Corporativa e especialização em Marketing e Relações Internacionais. Desde 2011 é editor do Portal dos Jornalistas e da newsletter Jornalistas&Cia e coordenador do Ranking dos +Premiados da Imprensa Brasileira. Top 5 principais motivos para o uso de IA pelas áreas de comunicação (exceto criação de conteúdos e textos) Posição Motivo % 1º Geração de insights a partir de dados de mídia 62% 2º Análise de dados 50% 3º Criação de designs visuais 64% 4º Otimização de estratégias de relacionamento com stakeholders 36% 5º Correlação de dados de reputação com resultados de negócio 26% Fonte: Pesquisa Cultura de Dados, Mensuração e Inteligência Artificial na Comunicação 2025 (Aberje/Cortex) “Um exemplo aconteceu comigo há alguns dias”, lembra o executivo. “Eu estava analisando alguns dados e rediscutindo o empacotamento comercial dos nossos produtos. Antes de levar minhas primeiras impressões para a equipe de vendas, que certamente me devolveria com insights próprios, uma vez que eu não domino o dia a dia deles, comecei a testar o projeto com uso da inteligência artificial. Inicialmente, pedi algumas referências para que ela pensasse como alguém de vendas, depois de produtos, de operações e assim sucessivamente para atender às diversas áreas impactadas por aquele projeto. O resultado é que, em algumas horas, consegui finalizar uma estratégia muito mais alinhada às necessidades da empresa, sem precisar envolver diversas outras pessoas, diminuindo tempo e custo”. E ele completa: “Claro que estou falando do meu dia a dia, mas essa dinâmica vale para várias ações de comunicação, como por exemplo na preparação para uma entrevista, onde você pode pegar as últimas matérias de determinado jornalista que vai falar com o seu CEO e tentar prever o que ele perguntará, permitindo que você treine melhor o seu executivo. Por isso, defendo que não é sobre trocar a inteligência humana pela artificial, é você utilizar o que a tecnologia tem de bom para te acelerar como profissional”. Diante desse cenário, fica claro que, por mais que as tecnologias avancem, é o fator humano que continuará sendo o diferencial decisivo. A capacidade de interpretar dados, contextualizar informações e transformá-las em narrativas relevantes e estratégicas é o que dá significado aos números, e é nesse equilíbrio entre tecnologia e sensibilidade humana que reside o verdadeiro potencial de transformação da comunicação no ambiente corporativo. Também é evidente que o uso de dados e métricas deixou de ser apenas uma vantagem competitiva para se tornar um requisito básico para empresas que desejam crescer com consistência e relevância. Nesse contexto, as áreas de comunicação assumem um papel cada vez mais estratégico, ampliando sua influência e conquistando espaço nas decisões de alto nível ao dialogar diretamente com executivos C-level por meio de indicadores concretos e resultados mensuráveis. Ao mesmo tempo, abre-se um campo fértil de oportunidades para agências de relações públicas e consultorias, que passam a atuar não apenas como executoras, mas como parceiras estratégicas na construção de inteligência, oferecendo soluções orientadas por dados e contribuindo para decisões mais assertivas.
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