Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 30 MERCADO DA COMUNICAÇÃO CORPORATIVA GRANDES &médias Em um mundo movido por IA, o que garante o futuro das relações públicas? Kiki Moretti, fundadora e presidente do Conselho do Grupo In Press No SXSW deste ano, a futurista Amy Webb decretou a morte do seu relatório anual de tendências, o Tech Trends Report, apresentado no evento ao longo de 15 anos. Ela foi categórica: as mudanças tecnológicas, políticas, sociais e econômicas estão acontecendo de forma tão acelerada que um relatório anual torna-se rapidamente obsoleto. No lugar dele, ela propõe uma nova metodologia, baseada nas convergências. O foco passa de responder às tendências para identificar as transformações inevitáveis e preparar-se para elas, usando as convergências para definir o que acelerar, o que pausar e o que reformular. Essa mudança de perspectiva dialoga com uma reflexão que faço todo início de ano. Como será o nosso negócio daqui a dez anos? Como será o futuro do Grupo In Press, das nossas agências, da indústria de RP? Que mudanças serão inevitáveis e o que devemos fazer para nos preparar? O que temos que preservar a qualquer custo? Todo o nosso mercado já foi impactado pela revolução da IA. A transformação digital está mais do que posta. No Grupo In Press, estamos em constante inovação e adotamos ferramentas de IA de forma segura, ética e responsável, com políticas claras, capacitação, ambiente controlado e espaço para experimentação. As ferramentas estão a nosso serviço para melhorar o que já fazemos, automatizar processos e tarefas repetitivas, entregar um zilhão de dados numa velocidade ímpar, criar produtos e serviços, trazendo mais eficiência e agilidade. Só que, ao mesmo tempo em que abraçamos a transformação digital, não podemos negligenciar um ponto que considero inegociável: a essência do nosso negócio precisa ser mantida. Conexões e relacionamento humano são o nosso core. Esses são os fundamentos que devem ser preservados a todo custo: relações verdadeiras, éticas e respeitosas, capacidade de escuta e olhar humano. Isso se torna mais relevante diante de um cenário de crise de confiança global e de transformações geopolíticas, ao mesmo tempo em que estamos expostos a uma sobrecarga absurda de informação e ferramentas. O resultado? Sensação generalizada de angústia e insegurança, com impacto profundo na saúde mental das pessoas. Como equilibrar tudo isso e seguir liderando uma indústria inteira em constante transformação? As mudanças seguirão aceleradas. Vamos adotar novas ferramentas, processos, sistemas e modelos de negócio. Quem sabe como se chamará o nosso setor daqui a uma década? Que serviços entregaremos? Para mim, pouco importa. A inovação vem com a inquietude que vejo no nosso time. O que vai nos diferenciar, num mundo cada vez mais movido por robôs, será a capacidade de manter a essência do que nos faz HUMANOS, no olhar e nos relacionamentos. Porque as pessoas serão sempre mais importantes do que a tecnologia. Afinal, estamos no universo das relações públicas. E é isso que entregaremos em 10, 20, 30 anos: relações humanas.
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