Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 31 2026 tende a ser um ano barulhento. Em um país polarizado, temas ligados a políticas públicas ganham os holofotes e viram disputa. Na saúde, isso pesa mais: mexe com medo, urgência e está na vida de todo mundo. Quando o debate fica ruidoso, cresce o risco de a informação virar arma e de conteúdos falsos levarem a decisões ruins. A pergunta, então, deixa de ser só como comunicar e passa a ser: quem consegue ser ouvido com credibilidade? Essa é uma discussão que acompanhamos de perto na Edelman, a partir da nossa atuação em comunicação e reputação para nossos diversos clientes de saúde e dos dados do Edelman Trust Barometer (Relatório Especial Confiança e Saúde), que mostram que, no Brasil, empresas aparecem à frente de ONGs, mídia e governo quando o assunto é responder a necessidades e preocupações em saúde. Esse capital de confiança é raro e vem com responsabilidade. Ao mesmo tempo, a saúde já sente o efeito da politização. O estudo aponta que 34% dizem que deixam de confiar, ou até param de se consultar, quando percebem divergência política com o profissional de saúde. Além disso, a “insularidade” apontada pelo Trust Barometer 2026, com sete em cada dez brasileiros hesitando em confiar em pessoas diferentes, contribui para a facilidade com que a desinformação se propaga. Nesse cenário, empresas podem atuar como ponte, sem transformar saúde em palanque. Para isso, eu colocaria três compromissos no centro: evidência científica, com transparência sobre fontes; proximidade, valorizando vozes técnicas e reconhecíveis, como médicos e instituições com legitimidade no cuidado; e consistência, com presença contínua e linguagem acessível, não só em datas e campanhas. Combater desinformação é parte da ética de comunicar no setor de saúde, sobretudo em ano eleitoral. Um exemplo concreto é o Guia Interfarma – Combate às Fake News em Saúde, lançado em janeiro, idealizado pela Interfarma e desenvolvido em parceria com a Edelman, unindo experiência e conhecimento técnico em comunicação em saúde e construção de confiança, com orientações práticas para identificar boatos e checar informações. No fim do dia, saúde precisa voltar a ser ponto de encontro. Se empresas têm crédito de confiança, ele deve servir para elevar a qualidade do debate e proteger decisões de saúde com mais clareza, menos medo e mais confiança. Eleições, polarização e saúde: qual é o papel de quem informa? Ana Carbonieri, diretora sênior de Saúde para Brasil e América Latina da Edelman
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