Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 32 MERCADO DA COMUNICAÇÃO CORPORATIVA GRANDES &médias Vivemos em uma era de interseções, em que as fronteiras entre o social, o político e o corporativo tornaram-se cada vez mais permeáveis. Para as empresas, o silêncio deixou de ser uma garantia de neutralidade. E à medida que a IA acelera a transformação dos negócios e as tensões geopolíticas aumentam, os stakeholders esperam que os líderes se comuniquem com precisão e responsabilidade. No entanto, o posicionamento sobre temas sensíveis em um ambiente digital polarizado é um campo minado que pode destruir reputações em pouco tempo. Como, então, as marcas podem navegar nesse cenário com segurança? O estudo Leading at the Intersections 2026, da Weber Shandwick, aponta que a liderança corporativa vigente exige uma nova forma de pensar a comunicação e os assuntos corporativos. O desafio não é escolher um lado no debate, mas sim definir onde a empresa tem legitimidade e responsabilidade para agir. Nesse sentido, três frentes norteiam a tomada de decisões. Em primeiro lugar, o risco da inação e a exigência por ações reais: ignorar as conversas que moldam a sociedade é arriscado. De consumidores a colaboradores, os stakeholders esperam que as marcas se manifestem sobre questões que impactam suas vidas. Contudo, um posicionamento que soa inautêntico ou oportunista é uma perigosa armadilha. O público brasileiro, altamente conectado e engajado, penaliza severamente a hipocrisia ou a falta de coerência corporativa. Um segundo ponto é a importância do planejamento contínuo, potencializado por dados, que deixa de ser um evento anual para se tornar um processo constante. Antes de se posicionar, a marca deve questionar: onde estão nossas interseções? O tema tem relação direta com o nosso negócio ou com a nossa equipe? Temos legitimidade prática para agir? Qual o nosso objetivo: educar, proteger ou reforçar valores? Por fim, é preciso avaliar a equação entre silêncio estratégico e ações humanizadas. Nem todas as ações precisam de grande notoriedade. Muitas vezes, a iniciativa mais poderosa é interna: revisar políticas de diversidade e inclusão, investir na requalificação de funcionários diante de novas tecnologias ou focar no impacto comunitário. O silêncio pode ser uma escolha estratégica, desde que consciente e alinhado a ações de bastidores. Mas, quando a decisão é falar, a mensagem deve ser clara, empática e, acima de tudo, humana. No Brasil e no mundo polarizado, navegar nas interseções não é uma tarefa de relações públicas, mas um pilar da estratégia de negócios. Exige coragem para agir, humildade para ouvir e uma clareza inabalável sobre o propósito da empresa. As marcas que dominarem essa arte não apenas protegerão sua reputação, mas construirão um legado de confiança e relevância duradouro. Fabrizio Leonardo, vice-presidente executivo da Weber Shandwick e líder da Weber Advisory Navegando na polarização: o desafio estratégico das marcas no panorama atual
RkJQdWJsaXNoZXIy NDU0Njk=