Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026

Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 33 Klecio Santos, CEO da Holding in.Pacto Comunicação estratégica na era da IA: menos alcance, mais impacto Se 2025 consolidou algo para o nosso setor, foi a virada definitiva do feeling para a decisão orientada por dados. A inteligência artificial saiu do laboratório e entrou na rotina: pesquisa da Aberje mostra que 54% das áreas de comunicação já utilizam IA – principalmente para produção de conteúdo, geração de insights e ganho de produtividade. Mas a velocidade trouxe um paradoxo relevante: quanto mais informação circula, mais escassa se torna a confiança. Polarização, desinformação e ataques coordenados elevaram o custo reputacional do silêncio, do erro e da incoerência. Nesse ambiente, a comunicação corporativa deixou de ser suporte e passou a operar como bússola estratégica – interpretando contexto, traduzindo decisões complexas e preparando lideranças para cenários cada vez mais voláteis. Em 2026, a tecnologia deixa de ser diferencial e passa a ser pré-requisito. O valor estará na integração entre inteligência (dados), estratégia (narrativa) e execução (experiência e canais), sustentada por governança e métricas de impacto real – não apenas alcance. Ao mesmo tempo, cresce a demanda por profissionais híbridos, capazes de conectar negócio, cultura digital e sensibilidade humana em modelos de trabalho mais integrados e orientados à performance. É nesse contexto que, na Holding in.Pacto, um ecossistema formado por nove empresas, temos estruturado uma atuação integrada que conecta escuta estratégica, inteligência analítica, criatividade e capacidade de execução para transformar dados em narrativa e narrativa em resultado. Mais do que ampliar portfólio, a lógica de ecossistema permite operar nas novas fronteiras da comunicação contemporânea – liderança de pensamento, gestão de crises complexas, influência, cultura organizacional, comunicação interna e mensuração consistente de impacto – com escala, profundidade e coerência estratégica. Num mercado mais competitivo, eficiência continuará sendo condição necessária, mas não suficiente. O que definirá relevância daqui para a frente é a capacidade de transformar comunicação em ativo estratégico de decisão, proteção e crescimento. Em um ambiente saturado de informação e escasso de confiança, organizações que tratam reputação como infraestrutura – e não como consequência – estarão mais bem posicionadas para liderar. No fim, menos alcance será irrelevante se houver mais impacto. Porque, na era da inteligência artificial, vantagem competitiva não será comunicar mais – será comunicar com direção, consistência e sentido.

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