Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026

Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 34 MERCADO DA COMUNICAÇÃO CORPORATIVA GRANDES &médias Os tempos mudaram. E rápido. Antes, um bom portfólio era sinônimo de peças gráficas benfeitas, campanhas publicitárias memoráveis e uma assessoria de imprensa alinhada. Hoje, o cliente quer mais. Se 2025 ensinou algo ao mercado de comunicação corporativa foi que não existe mais zona de conforto. A transformação deixou de ser tendência e virou regra – e quem ainda não percebeu isso já está atrasado. A inteligência artificial entrou de vez no jogo. Automatiza, cruza dados, antecipa movimentos, mas não pensa. E esse é o ponto: enquanto muitos se encantam com a eficiência, poucos estão preparados para lidar com as implicações éticas e reputacionais dessa dependência crescente. O desafio é sustentar coerência e responsabilidade em uma realidade cada vez mais acelerada. O verdadeiro problema não é tecnológico, é narrativo. Nunca se produziu tanta (des)informação e nunca foi tão difícil ser relevante. Em um ambiente dominado por fake news e polarização, a disputa deixou de ser por espaço e passou a ser por credibilidade. Mais do que visibilidade, as empresas buscam posicionamento, legitimidade e capacidade de resposta rápida em cenários de alta exposição. A fragmentação já não atende. O cliente não quer mais uma soma de entregas desconectadas, quer leitura integrada: PR, digital, conteúdo, dados e influência apontando para a mesma direção – não por tendência, mas por necessidade. As movimentações das agências em 2025 confirmam isso. Fusões, aquisições e a formação de ecossistemas integrados mostram um setor que caminha para estruturas mais completas e conectadas. Não se trata apenas de escala, o valor está em orquestrar disciplinas com inteligência. Ainda assim, o mercado insiste em um paradoxo: exige sofisticação, mas remunera como commodity. Pressão por preço, foco no curto prazo e métricas superficiais convivem com a expectativa de impacto estratégico real – uma equação que não fecha. Olhando para frente, a tendência é clara: mais dados, mais pressão por resultado e menos tolerância a erros. Nesse cenário, o diferencial não será quem usa tecnologia, mas quem transforma complexidade em decisão. No fim, reputação não é o que se diz. É o que se sustenta. E sustentar, hoje, dá trabalho. Renata Binotto, sócia e diretora-executiva da Fato Relevante Reputação não é discurso: é sobrevivência

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