Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 39 Antonio Salvador Silva, presidente do Grupo CDI Entre algoritmos e propósito, a comunicação se reinventa O setor de comunicação lida com um dilema: quanto mais nos comunicamos, maior se torna o desafio de comunicar. Afinal, desde a popularização da internet, falar é quase de graça: a rede nos proporciona um alcance sem paralelo em toda a história da humanidade. Com tanta gente falando ao mesmo tempo, porém, não basta levantar a voz para tentar chamar a atenção: é necessário falar com propriedade. A grande novidade agora é que o ato de falar já não é mais exclusividade humana. A máquina aprendeu a fazê-lo – e muito bem, por sinal. Não só: ela agora sabe associar ideias, organizar argumentos e chegar a conclusões. A inteligência artificial nos fez encarar o questionamento: se éramos os especialistas em informação em um mundo desinformado, quem precisa de nós agora que a síntese de todo o conhecimento humano está a um prompt de distância? A resposta é bem simples: muito mais gente do que se imagina. O desafio da comunicação agora não é exatamente navegar em meio ao excesso de informação. O grande paradigma desse novo momento é que muita gente optou voluntariamente por delegar a habilidade de pensar. É como o motorista que, condicionado ao uso do GPS, perde a capacidade de se localizar. Muitos podem não se importar com o percurso entre o ponto A e o ponto B, desde que o carro encontre o destino. Mas conhecer as manhas do caminho faz toda a diferença entre uma corrida ordinária e uma jornada memorável. Textos, relatórios, artigos, vídeos e campanhas são ferramentas. Em qualquer atividade, o operacional está sempre sujeito à automação – e se isso não tinha ocorrido até agora na comunicação é porque lidamos com tarefas majoritariamente intelectuais. Então façamos o que sempre fizemos de melhor: pensar. A execução pode até vir da máquina, mas a estratégia requer vivência, contexto, olho no olho. O novo comunicador é um especialista em orquestrar esses novos recursos. Esse olhar voltado à reinvenção é uma das marcas do Grupo CDI. Nossa tradição é justamente a de olhar para o futuro: há mais de 30 anos, antecipamos as transformações para nos manter em posição de vanguarda. Não à toa, a CDI Comunicação foi reconhecida, na avaliação de clientes, como a melhor agência do Brasil em serviços de analytics, medição e ROI, de acordo com o estudo PR Scope 2025-2026. Também nos destacamos na categoria especialistas e técnicos digitais. A inteligência artificial pode substituir processos. Mas, no fim das contas, a finalidade de cada informação que transmitimos é promover conexões – e isso é um fenômeno essencialmente humano. Ou seja: não podemos nos basear em uma falsa dicotomia entre o orgânico e o sintético, quando tudo pode ser aproveitado em nome de um propósito maior. Essa é a nova realidade. E para lidar com ela, nada melhor do que recorrer à nossa tradição de nos reinventar.
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