Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 42 MERCADO DA COMUNICAÇÃO CORPORATIVA GRANDES &médias 2026 não deve ser o ano em que a comunicação corporativa descobre novidades. Possivelmente, é o ano em que ela confirma um novo patamar de maturidade. A segunda edição do estudo AND, Trends 2026 aponta que práticas antes tratadas como tendência agora passam a fazer parte da operação real das empresas na América Latina. O dado mais revelador talvez não esteja apenas nos investimentos em infraestrutura e automação, mas no que eles simbolizam. As áreas de comunicação começam a ser estruturadas para operar com mais inteligência, mais previsibilidade e mais capacidade de demonstrar valor. Em outras palavras: a comunicação, cada vez mais, deixa de ser vista apenas como função de apoio e afirma-se como alavanca de reputação, impacto e negócio. A pesquisa, realizada pela AND, ALL com clientes de diferentes portes e segmentos em 18 países da região, mostra também uma mudança decisiva no papel dos dados. Eles deixam de servir apenas como relatório de desempenho, olhando para o passado, e passam a orientar decisões desde o início. Tornam-se bússola estratégica, em que influenciam de forma mais clara a perspectiva da alta liderança e ajudam a moldar prioridades com base em evidências, e não apenas em percepção. Ao mesmo tempo, o estudo expõe gargalos bem conhecidos do setor. O principal deles é a dificuldade de medir resultados, apontada por 69,2% dos respondentes como o maior desafio da área. Não se trata de um detalhe técnico. Trata-se da capacidade de comprovar relevância em um ambiente que exige cada vez mais precisão, eficiência e retorno. A isso se somam dois novos obstáculos que podem travar a evolução do nosso mercado: a escassez de profissionais capazes de atuar na intersecção entre comunicação, tecnologia e análise de dados, e a dificuldade de integração entre áreas e sistemas de informação. Sem essa conexão, a inteligência existe em partes, mas não ganha escala nem poder de decisão. Esse movimento acontece em um cenário de investimentos relativamente estáveis. Segundo o estudo, 53,8% das empresas pretendem manter o orçamento de comunicação em 2026, enquanto 34,7% indicam possibilidade de aumento. Isso mostra que o avanço da área não dependerá apenas de mais recursos, mas de maior capacidade de transformar estrutura, dados e talento em valor percebido. O recado é claro: o futuro da comunicação não está em fazer mais. Está em fazer melhor, com estratégia, integração e evidência. Hoje, mensurar, interpretar e agir a partir de dados já não é diferencial. É condição para permanecer relevante. Leandro Bornacki, chief growth officer da AND, ALL – Reputação e influência Dados e estratégia: o salto de maturidade da comunicação corporativa
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