Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026

Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 43 Tayna Xavier, jornalista, sócia sênior da Danthi Comunicação Comunicação 2026: a revolução da descoberta e o talento humano Se 2025 foi o ano em que a inteligência artificial deixou de ser uma promessa para se tornar a base da operação, 2026 nos exige uma nova postura. Como comunicadores, nosso papel agora é garantir que ativos de marca, conteúdos cocriados e valores tangíveis estejam afinados para uma audiência que quer pertencer. A maior fronteira de inovação deste ano está na forma como o consumidor descobre o novo. A busca tradicional deu lugar à exploração, transformando o buscador em um parceiro conversacional. Nesse cenário, o foco migrou do SEO tradicional para o GEO (Generative Engine Optimization). Agora as marcas precisam fornecer ativos para que a IA as utilize como o “ingrediente-chave” na jornada do usuário. Durante o SXSW, a futurista Amy Webb falou como a IA deixou de ser um acessório ou uma “aba aberta no navegador” e tornou-se o núcleo operacional das empresas, onde o foco agora é nos resultados humanos que a tecnologia gera. Nesse cenário, ferramentas de automação e análise de dados passaram a ser o básico para a sobrevivência em vendas e na experiência do cliente. Para o mercado, isso significa que agências e empresas que não entregam escala com personalização via IA estão entregando menos do que o cliente necessita. No entanto, a tecnologia é o acelerador, não o piloto. O grande desafio de lucratividade e escala reside no talento humano. A IA atua como um sous-chef que acelera a produção, mas o tempero e a autenticidade dependem do chef humano. Conteúdos superficiais morrem, enquanto a autoridade e a profundidade sustentam a reputação. A influência deu lugar à familiaridade. Vivemos a era da Fan Economy, em que criar comunidades gera mais valor do que o alcance massivo. O consumidor atual possui uma identidade fluida e busca gratificação imediata, celebrando “micromomentos” de progresso em vez de apenas resultados finais. Essa fluidez reflete-se no comportamento “phygital”: entre 74% e 81% das pessoas pesquisam online antes de comprar em lojas físicas. Para as marcas, isso exige uma presença multicanal obrigatória, integrando desde o WhatsApp, o canal de atendimento favorito, até mapas digitais e espaços offline, que se tornaram o novo símbolo de status. Diante desse cenário, 2026 traz a oportunidade de reger uma orquestra generativa, na qual cada instrumento – da IA à nostalgia remixada – contribui para uma harmonia única. O sucesso reside na profundidade dos vínculos e no senso de pertencimento de comunidades. Para executar uma comunicação de impacto, neste ano, precisamos transformar tendências em ações tangíveis

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