Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026

Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 70 MERCADO DA COMUNICAÇÃO CORPORATIVA BUTIQUE Por muito tempo, o mercado interpretou o avanço da inteligência artificial como uma ameaça direta ao papel das relações públicas e da imprensa na construção de reputação. A leitura parecia lógica: mais automação, mais canais proprietários, mais produção de conteúdo em escala sugeriam menor dependência da validação jornalística. O que emergiu, no entanto, foi um movimento inverso. Na economia das LLMs, PR, jornalismo profissional e conteúdo corporativo confiável passaram a formar a base da autoridade que sustenta descoberta, influência e confiança. Os números ajudam a dimensionar essa mudança. Segundo o Sistema Analítico da Bites, sites de jornalismo, blogs e portais brasileiros produziram 25.427.607 notícias em 2025. Foram 69,7 mil por dia. Um volume impossível de ser absorvido sem mediação inteligente. Nesse ambiente, a imprensa preserva um atributo que nenhuma plataforma conseguiu substituir: legitimidade. Não por acaso, Adam Mosseri, ao explicar os critérios de relevância para perfis verificados, foi direto ao destacar menções em mídia tradicional como um dos sinais mais fortes de autoridade. Para o CEO do Instagram, seguidores ampliam alcance, mas credibilidade continua sendo construída por validação externa. A IA ampliou ainda mais esse papel. Estudo da Muck Rack, com mais de 1 milhão de citações em ChatGPT, Claude, Gemini e Perplexity, mostra que 94% das referências vêm de conteúdo não pago, 82% de earned media, 25% de base jornalística e 20% de conteúdo corporativo. O dado mais revelador talvez seja outro: as citações de press releases cresceram cinco vezes. A razão é estratégica: conteúdo factual, atribuído a fontes, consistente e rastreável oferece exatamente o tipo de material que sistemas de IA utilizam para resumir, validar e hierarquizar informação institucional. Entramos, portanto, na era do duplo leitor. Cada narrativa corporativa passou a ser lida por jornalistas e por máquinas. Um aprofunda contexto, desafia narrativas e amplia relevância pública. O outro sintetiza, responde, ranqueia e define o que será encontrado primeiro. A fronteira competitiva deixou de estar apenas na publicação. Agora, reside na capacidade de ser interpretado pelos sistemas que mediam a atenção. Para as agências de comunicação, isso eleva o patamar estratégico do PR. Narrativa, dados proprietários, fonte confiável, cadência editorial e autoridade institucional deixam de ser apenas ativos de imprensa. Tornam-se ativos de inferência algorítmica. A imprensa não perdeu valor na era da IA. Ao contrário, transformou-se na camada mais sofisticada de validação da reputação no ambiente em que respostas chegam antes dos cliques. E as marcas que compreenderem isso cedo não disputarão apenas espaço na mídia, mas espaço na memória dos sistemas que moldam a percepção pública. Fernanda Dabori, CEO da Advice Comunicação Corporativa A IA não matou a imprensa. Ela redefiniu seu valor estratégico

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