Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026

Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 73 Reputação constrói-se de perto © Roni Vasconcelos Karla Rodrigues, diretora da Capuchino Press A assessoria de imprensa evoluiu e quem ainda a enxerga como um trabalho limitado à produção e disparo de releases está, inevitavelmente, ficando para trás. Hoje, reputação constrói-se em camadas mais profundas: na capacidade de gerar conexões reais, criar experiências e estabelecer relações de confiança que extrapolam o factual. Ao longo dos últimos anos, temos observado um movimento consistente de clientes que passam a compreender a comunicação como um território estratégico de relacionamento. Esse contexto ultrapassa a mera lógica de “aparecer”, mas se consolida na construção de presença com intencionalidade, contexto e consistência. Em projetos recentes conduzidos pela Capuchino Press, vimos essa virada acontecer na prática. Em um grande festival de música, por exemplo, uma indústria do setor de bebidas decidiu ir além da pauta tradicional. Em vez de apenas comunicar sua participação, estruturou, junto com nossa equipe, encontros prévios com jornalistas, promoveu experiências in loco e abriu espaço para conversas diretas com porta-vozes. O resultado não foi apenas visibilidade, mas compreensão aprofundada da pauta e amplificação qualificada da narrativa. Esse mesmo princípio se repete em diferentes segmentos. No varejo, transformar datas sazonais em experiências que conectam emocionalmente com o público e com a imprensa. Na construção civil, converter marcos institucionais em oportunidades de diálogo sobre futuro e desenvolvimento. Na saúde, ampliar campanhas de conscientização por meio de conteúdo editorial relevante e presença ativa de especialistas no debate público. O que une esses movimentos é a compreensão de que relacionamento não é acessório – é estratégia. É ele que abre portas, gera confiança e sustenta narrativas no longo prazo. A imprensa, nesse contexto, deixa de ser apenas canal e passa a ser parceira de construção de sentido. Para as marcas, isso exige um novo posicionamento: mais abertura, mais consistência e, sobretudo, mais disposição para dialogar. Para as agências, exige método, inteligência e sensibilidade para orquestrar esses encontros. No fim, a diferença entre uma comunicação que apenas ocupa espaço e uma que constrói reputação está justamente aí: na capacidade de transformar informação em conexão.

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