Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026

Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 179 lovers. Temos que reforçar essa sensação de pertencimento”. A reputação passa, assim, a ser construída em rede. Narrativas se estabelecem em minutos, muitas vezes antes da consolidação dos fatos. Ao mesmo tempo, o ambiente digital introduziu uma característica inédita: a permanência. O que é dito não desaparece. Pode ser resgatado, reinterpretado e recontextualizado indefinidamente. Essa multiplicidade de vozes insere-se em um ambiente social cada vez mais polarizado. E aqui surge um dos fenômenos mais relevantes do nosso tempo: a insularidade. O Edelman Trust Barometer, pesquisa global que há 26 anos analisa a confiança nas instituições, revela justamente esse fenômeno. Sete em cada dez pessoas hesitam ou se recusam a confiar em alguém que tenha valores, visões ou origens diferentes das suas. Mais do que um dado, esse número sintetiza uma mudança estrutural no tecido social. A confiança, que antes operava em bases mais amplas, passa a se retrair em círculos próximos e homogêneos. Trata-se de um movimento de fechamento insular. Diante de um ambiente percebido como incerto – marcado por ansiedade econômica, tensões geopolíticas e disrupções tecnológicas –, indivíduos tendem a buscar segurança no que lhe é familiar, reduzindo sua disposição ao diálogo e à diferença. O resultado é uma sociedade fragmentada, organizada em bolhas de confiança. A tendência é confiar apenas em quem compartilha visões semelhantes – o que torna a gestão reputacional ainda mais desafiadora. Nesse contexto, o alerta de Chico Britto, sócio da IZCOMM, é direto: “Hoje as pessoas postam e as reações são imediatas”. O que exige “monitoramento efetivo do universo que as afeta”. Segundo ele, influenciadores passaram a ocupar o papel dos antigos pauteiros das redações jornalísticas: “De uma forma orgânica e com difícil previsibilidade, ditam o que passa a ser importante em termos de relevância, principalmente para as novas gerações, que acompanham as notícias pelas redes sociais”. A consequência é clara: “O que vai para a rede, não se apaga”. Daniel Bruin, diretor executivo da XCOM by Atrevia, aprofunda essa percepção de ruptura, ao afirmar que as redes sociais “terminaram com a previsibilidade”. Para ele, a reputação ainda disputa espaço dentro da agenda estratégica do C-level, mas tende Chico Britto, da IZCOMM: influenciadores ditam o que passa a ser importante em termos de relevância, principalmente para as novas gerações Daniel Bruin, XCOM by Atrevia: nunca foi tão fundamental que o CEO participe da construção de credibilidade

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