Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026

Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 183 Quando conectada a práticas reais de ESG, a comunicação amplia o horizonte de atuação das empresas na sociedade. Deixa de ser apenas instrumento de visibilidade e passa a ser vetor de relevância, ampliando a capacidade da organização de informar, posicionar e engajar de forma mais consistente e legítima. Mas o alerta é inequívoco: essa expansão de papel só se sustenta quando ancorada em práticas concretas. ESG não pode ser uma camada de verniz. Tampouco pode se limitar ao chamado greenwashing – ou mesmo ao greenwishing, aquilo que a organização aspira ser, mas ainda não é. A reputação, nesse campo, exige coerência radical entre intenção, discurso e prática. Exige evidência. Exige impacto real. Esse alerta é reforçado por Silvana Inácio, CEO da Si Comunicação, que destaca que há um movimento crescente de empresas que extrapolam sua atividade original. “As empresas que ‘transbordam’ sua atividade original para também abraçar causas sociais, como a diversidade, e ambientais – desde que dialoguem com seu objetivo estratégico –, encontram uma forma legítima de retorno social”, afirma. Mas ela faz um alerta essencial: “Tem que ser autêntico e não simplesmente surfar a onda”. A experiência da Vale S.A., a maior mineradora do Brasil e uma das mais relevantes do mundo, tornou-se emblemática ao ter sua reputação submetida a um escrutínio extremo nas duas maiores tragédias socioambientais do País: o desastre de Mariana, em 2015, envolvendo a Samarco Mineração S.A. – da qual a Vale detém 50% do capital –, e, em 2019, o rompimento de barragem em Brumadinho, ambos em Minas Gerais (vide box). Episódios que, além dos extensos danos ambientais, resultaram em perda de vidas e impactos profundos sobre comunidades inteiras, testando sua capacidade de recuperação reputacional. Para Leandro Modé, diretor de Comunicação da Vale, “as situações de crise colocam à prova a construção da consciência reputacional da empresa”. Hoje, a reputação passou a integrar o centro da estratégia, sendo tema recorrente dos fóruns de discussão e incorporada inclusive aos indicadores que influenciam a remuneração variável dos colaboradores. Trata-se de uma mudança estrutural: reputação deixa de ser consequência e passa a ser condicionante da operação. Lilian Ribas, da BH Press: comunicação não é só espelho retrovisor, tem que ser farol Silvana Inácio, da Si Comunicação: empresas que “transbordam” sua atividade original para também abraçar causas sociais encontram uma forma legítima de retorno social

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