INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 192 Nesse contexto, se nos primeiros anos o debate em torno da utilização da IA embutia condicionalidade e dúvida – “Se e Quando” –, agora o que está à mesa é o “Como e a Que Custo”. Afinal, a ferramenta não apenas evoluiu – abrindo uma gama de possibilidades que até pouco tempo atrás constava apenas da literatura futurista – como também seu custo de aquisição continua a erodir, permitindo que um número cada vez maior de empresas e empreendedores participe dessa babel tecnológica. No entanto, ainda há muita espuma nesse caldo. “Os agentes de IA têm causado uma grande excitação e um grande burburinho no mercado”, destaca Michael Chui, senior fellow da McKinsey. “Contudo, na prática, uma pequena fração das atividades das empresas está vinculada à IA, o que indica uma clara diferença entre o potencial dessa tecnologia, o hype em torno dela, e a realidade prática”. O hype referido pelo consultor está relacionado à forma com que muitas empresas estão encarando o presente e o futuro de seus negócios a partir da IA. Em um momento no qual a pressão por corte de despesas é constante e a decisão de aquisição de serviços ou produtos depende de preços e custos competitivos, a substituição de mão de obra, por exemplo, soa como boa música aos ouvidos de muitos empresários e gestores. Prova disso é que uma parte expressiva deles tratou de se antecipar às promessas da IA e fez ajustes pesados no quadro de pessoal. A lista é encabeçada tanto por gigantes globais de tecnologia – como Meta, Amazon, Oracle, HP, Salesforce e Wisetech – quanto por potências da velha economia: Dow, JP Morgan e Chase. Essas movimentações, porém, são classificadas como prematuras por inúmeros pesquisadores. Dois deles, Thomas Davenport, professor do Instituto Metropoulos de Tecnologia e Empreendedorismo da Faculdade Babson, e Laks Srinivasan, cofundador e CEO do Return on AI Institute, assinam o artigo As pessoas estão perdendo empregos pelo potencial da IA e não em função de seu desempenho, na prestigiosa Harvard Business Review, no qual demonstram, a partir de levantamento realizado em dezembro de 2025 com 1.006 altos executivos, em nível global, que uma parte expressiva das organizações já fez reduções “baixas a moderadas” (39%) ou “grandes” (21%) na folha de funcionários em antecipação aos potenciais benefícios da IA. Outros 29% “estão contratando menos pessoas do que o normal” e apenas 2% das empresas já “fizeram grandes reduções no quadro de funcionários relacionadas à implementação real da IA”. Michael Chui, da McKinsey: pequena fração das atividades das empresas está vinculada à IA, o que indica a diferença entre o potencial dessa tecnologia, o hype em torno dela, e a realidade prática Uso da IA Generativa em ao menos uma atividade do negócio 2023 2024* 2025 (*) Em 2024, a empresa lançou duas edições da pesquisa Fonte: McKinsey, O Estado da IA em 2025 – Agentes, Inovação e Transformação 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0
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