Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 193 “A IA não demite ninguém, mas leva a culpa”, destaca o jornalista e escritor Alexandre Teixeira, cofundador de O Dia Depois de Amanhã (ODDDA), uma plataforma de conteúdo sobre o futuro do trabalho. Segundo ele, a tecnologia tornou-se uma explicação conveniente para gestores que não desejam ser honestos o bastante quando confrontados em relação a medidas drásticas: “Executivos sempre precisaram justificar cortes de pessoal. Antes era ‘eficiência’, ‘excesso de contratações’ ou ‘reestruturação’. Agora, dizer ‘é por causa da IA’ soa quase inevitável (progresso tecnológico), posiciona a empresa como inovadora e reduz o custo reputacional (‘não é corte, é evolução’). Ou seja, comunica melhor tanto para investidores como para a opinião pública”. (3) Independentemente de ser usada como pretexto, ou do fato de as empresas terem absorvido algum ganho com a transformação digital, espera- -se que a IA generativa cause impactos tão profundos quanto os da Revolução Industrial. Especialmente na substituição de mão de obra, tanto nas atividades mais perigosas (trabalho em mineração, por exemplo) quanto nas tarefas repetitivas que exigem pouco ou nenhum repertório e zero visão estratégica. “Ferramentas de IA já aumentam a produtividade em engenharia, suporte e marketing, permitem a times menores entregar mais e reduzem a demanda por funções operacionais e intermediárias. Mas isso ainda é incremental, não revolucionário no curto prazo. Não explica os cortes massivos”, aponta Teixeira. Por aqui, a situação é bem distinta da vivida nos Estados Unidos e na Europa. Se o crescimento do uso da IA generativa não veio acompanhado de um processo massivo de desligamento de pessoal – a taxa média de desemprego ficou em 5,6%, em 2025, a menor da série histórica do IBGE –, é correto dizer que a introdução dessa tecnologia, em suas múltiplas versões e especificidades, tornou-se um componente transversal na vida pessoal e no trabalho. A começar pelo jeito de estudar e realizar tarefas acadêmicas, passando pela proAlexandre Teixeira, jornalista e escritor: ferramentas de IA já aumentam a produtividade em engenharia, suporte e marketing, permitem a times menores entregar mais e reduzem a demanda por funções operacionais e intermediárias Ganhos que vão além do caixa Inovação Satisfação dos Empregados Satisfação dos Clientes Diferencial Competitivo Custos Lucratividade Atração de Talentos 64 21 14 1 45 45 45 38 36 33 31 32 33 31 36 42 19 22 20 24 26 23 4 1 1 7 2 3 Notas: 1. Cada entrevistado pode marcar mais de uma opção 2. Os dados podem não somar 100% por causa de arredondamento Fonte: McKinsey, O Estado da IA em 2025 – Agentes, Inovação e Transformação Melhorou Indiferente Não sabe Piorou
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