Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 194 dução de conteúdo em momentos de lazer ou de cunho profissional: quase nada é feito sem que se procure o auxílio de alguma ferramenta (chatbot, motores de busca, editores de textos, fotos e vídeos, por exemplo) acoplada à IA. O selo “Feito com auxílio de IA”, ainda obrigatório/recomendável, tende a perder o sentido pois estaremos todos sob o imperativo dessa tecnologia. Aqui, cabe um disclaimer: antes que reste alguma dúvida, apresso-me em dizer que esse texto é 100% autoral. A IA entrou como mera coadjuvante na busca por fontes de dados, via Google. E só! De fato, a grande intimidade dos brasileiros com as TICs em geral ajudou na incorporação da IA no dia a dia de empresas de diversos portes. Esse fenômeno foi destrinchado em uma recente pesquisa realizada pelo Sebrae/FGV Ibre, com a colaboração do Google (5), que ouviu cerca de cinco mil gestores e donos de empresas de todos os portes, em nível nacional. Alguns achados assemelham-se a pontos apurados nos levantamentos da McKinsey e da dupla Davenport-Srinivasan no que se refere à velocidade de adesão do mundo corporativo à IA. De acordo com o Sebrae/FGV Ibre, essa tecnologia já está presente em 83% das Médias e Grandes Empresas (MGE) e em 60% das Médias e Pequenas Empresas (MPE), onde é usada com frequência ou de modo eventual. Nada menos que 63% das MGE inserem a IA na estratégia do negócio, montante que chega a 46% entre as MPE, com destaque para as seguintes atividades: análise de dados, marketing e comunicação. Levando-se em conta os benefícios auferidos, quem seguiu essa trilha mostra- -se satisfeito ao destacar ganhos de produtividade (42%), economia de tempo (25%) e novas ideias (13%), no caso das MGE. Se no universo empresarial a IA não é apenas uma realidade de mercado, mas, fundamentalmente, uma importante ferramenta no dia a dia dos negócios, sua presença na comunicação corporativa é ainda mais incisiva e seminal. A curiosidade típica dos primeiros anos – quando a adesão deu-se por uma grande dose de voluntarismo, com os funcionários early adopters recorrendo à IA de forma autônoma em algumas tarefas – foi rapidamente substituída pelo imperativo estratégico. Afinal, além dos aspectos de confidencialidade e de segurança no tratamento dos dados, as agências precisaram mostrar-se capazes de falar a língua do cliente e de resolver suas eventuais dores com mais qualidade, maior velocidade, maior nível de efetividade e, acima de tudo, menor custo. Alguns exemplos desses ganhos vieram da utilização de ferramentas mais robustas, como os agentes de IA, IA agêntica, capazes de realizar tarefas qualificadas de modo autônomo, a partir do aprendizado contínuo, tais como: análise de notícias, atendimento automatizado e resumos de reuniões de briefing. Essa virada de chave foi capturada no levantamento intitulado Cultura de Dados, Mensuração 63 46 Médias e Grandes Empresas (MGE) Utilização de IA Micro e Pequenas Empresas (MPE) 27 49 10 5 SIM NÃO Não sabe Produtividade Economia de tempo Novas ideias Brasil segue a tendência global Análise de Dados Marketing e Divulgação Comunicação Inovação e Planejamento Usos e Finalidades 67 30 51 59 46 39 42 20 Médias e Grandes Empresas (MGE) Micro e Pequenas Empresas (MPE) Maiores Benefícios 42 34 25 22 13 22 Médias e Grandes Empresas (MGE) Micro e Pequenas Empresas (MPE) Fonte: “Uso de IA nos negócios” (Pesquisa Sebrae/FGV Ibre, com colaboração do Google, set/2025) Popularização e barateamento da tecnologia tornam a IA um ativo estratégico no dia a dia de empresas brasileiras, independentemente de porte e área de atividade

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