Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 207 Construção de agente de IA capaz de otimizar o fluxo de trabalho interno No vídeo de onboarding dos colaboradores da Central Press, sediada no Paraná, uma frase chama a atenção: “Somos inquietos”, deixando patente que, por lá, o business as usual não tem vez. Pois foi exatamente esse traço da cultura corporativa que facilitou a adaptação da agência aos inúmeros desafios impostos pela conversão digital. Primeiro em meio à popularização das redes sociais, no final da década de 1990 – que impactou a gestão reputacional das marcas – e, mais recentemente, com o advento da inteligência artificial. “Estamos sempre em transformação e em processo de aprendizado contínuo”, diz Claudio Stringari, sócio-diretor da Central Press. Essas características atávicas têm servido de trunfo para a agência navegar com mais tranquilidade no universo da tecnologia generativa, no qual embarcou com o auxílio de uma consultoria externa em novembro de 2025 – quando realizou um workshop com todos os colaboradores da agência. E o saldo tem sido positivo. De acordo com levantamento do Departamento de Recursos Humanos, a velocidade de entrega de algumas demandas cresceu em até 40%, enquanto a qualidade aumentou 30%. “Eu costumo dizer que, em alguns meses, a IA foi o ‘Funcionário do Mês’”. Brincadeiras à parte, ele aposta na tese de que o diferencial competitivo do setor estará cada vez mais vinculado a aspectos imateriais. “Até porque os algoritmos não vão gerir uma crise, tampouco são capazes de fazer uma leitura mais refinada de cenários como nós”, opina. São atributos que, segundo ele, desconstroem o argumento de que os agentes virtuais irão causar desemprego no segmento. Contudo, alerta: “Ninguém será substituído pela máquina, mas sim por um profissional qualificado e que saiba extrair mais conteúdo dessa ferramenta”. Para dar o exemplo, o executivo matriculou-se em um curso do Ibmec na área. Em termos práticos, o lifelong learning vem sendo conduzido por meio de estímulos para que o time inscreva-se em especializações tecnológicas, além da oferta de treinamentos in-house via parcerias como RD Station e Google, por exemplo. Em todos os casos, existe a previsão de uma atividade “mão na massa” ao final. Uma delas inspirou a construção de um agente de IA capaz de otimizar o fluxo de trabalho interno, com destaque para a automatização de funções como desenho de estratégias, planejamento de eventos e projetos especiais, além da agilização do processo de aprovação de textos (matérias e releases) e relatórios de desempenho – trabalho que está na fase final de conclusão. “Nossa próxima meta é desenhar produtos baseados em IA que possam ser ofertados aos clientes”, conta. Isso não significa, no entanto, que a agência esteja formando programadores. “Nunca foi apenas uma questão de aprender a manejar um ou outro recurso, mas de como navegar com mais assertividade em um mundo de tantas possibilidades”, destaca Stringari. Claudio Stringari, da Central Press: levantamento feito em 2025 mostra que velocidade de entrega de algumas demandas cresceu em até 40%, enquanto a qualidade aumentou 30%
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