Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 208 Ativação de agentes de IA e desenvolvimento de assistente virtual Durante alguns meses, a sede da Rede Comunicação, em Belo Horizonte, viveu sob uma espécie de antagonismo tecnológico. E não era entre torcedores do Galo ou da Raposa, como são popularmente conhecidos os times do Atlético e do Cruzeiro, respectivamente. A rixa era entre os que se apressavam em aderir às plataformas de inteligência artificial e aqueles que ainda resistiam. Mesmo estando longe de causar quaisquer rusgas, essa “polarização” chamou a atenção da direção da agência, que decidiu organizar a submissão dos processos internos à IA. E isso foi feito com o auxílio de uma consultoria externa, que recebeu um briefing bem específico: “Não queríamos somente adicionar uma ferramenta dentro da operação, mas sim realizar uma mudança estrutural”, lembra Mariana Matoso, diretora-executiva da Rede. O mergulho, iniciado em 2024 e intensificado no período seguinte, foi radical. A primeira fase foi marcada pela evangelização e envolveu quase todos os funcionários em treinamentos e formações, passando pela criação de times em laboratórios de testes destinados a explorar potenciais específicos de cada funcionalidade da IA, além da construção de uma biblioteca virtual de prompts de comando. A segunda etapa privilegiou aspectos mais técnicos, associados a ganhos de produtividade e à racionalização do jeito de trabalhar, com a formação de grupos para avaliação das ferramentas, além da elaboração de um Manifesto e Manual de Uso. O resultado foi a ativação de dois agentes de IA para atuar no coração da agência: as áreas de comunicação e relações públicas, permitindo a automação de tarefas operacionais, como a análise de clipping, além do desenvolvimento de um assistente virtual. “As informações internas, dos setores econômicos de interesse e dos clientes ficaram acessíveis, literalmente, na ponta dos dedos”, diz. Tamanho empenho também impactou positivamente a reputação da agência no mercado, tornando-a uma referência em transformação digital na era de IA, o que culminou em convites para palestras e apresentações de seu business case. Como o mundo da IA é marcado pela volatilidade, Mariana conta que a jornada de aprendizado é constante e incluiu, recentemente, a redefinição do papel da empresa: “Mais do que tecnologia, nós focamos em curadoria, senso crítico, qualificação de dados e geração de valor, atributos típicos da experiência humana”. E são esses fatores que balizam o ingresso de torcedores do Galo, da Raposa ou de quaisquer agremiações futebolísticas no time da Rede. Afinal, o que é levado em conta na hora de atrair talentos é o potencial criativo e o olhar multifacetado, capaz de antecipar tendências de cada profissional. Mariana Matoso, da Rede Comunicação: informações internas, dos setores econômicos de interesse e dos clientes ficaram acessíveis, literalmente, na ponta dos dedos

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