INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 210 Agência decidiu transformar-se também em empresa de tecnologia Para a holding in.Pacto, a inteligência artificial não é uma novidade trazida pelo boom da IA generativa, em 2022. Segundo Vitor Fortes, sócio da agência, a jornada começou anos antes, com modelos de machine learning voltados para social listening e otimização de mídia programática. “Eram ferramentas invisíveis para o cliente, mas fundamentais para nossa Inteligência de Dados”, lembra. O ponto de inflexão ocorreu de forma híbrida: um movimento orgânico das equipes (bottom- -up) unido a uma diretriz estratégica da liderança (top-down). “Ao notar a utilização cotidiana de ferramentas como ChatGPT e Midjourney, optamos por abraçar a tecnologia em vez de a restringir”. Para organizar esse processo, foi criado um Comitê de Inovação encarregado de estabelecer diretrizes pautadas em segurança, com foco na anonimização de dados. “A adesão orgânica foi o combustível e a governança, o volante para acelerarmos com segurança”, explica. Ele diz que o processo se assemelhou à integração de um novo colaborador brilhante, mas que exige contexto e direção. O maior desafio inicial foi o letramento tecnológico e a desmistificação de que a IA substituiria talentos. “A IA não vai roubar seu emprego, mas um profissional que sabe usá-la certamente vai”, afirma. Hoje, o foco dos gestores reside na ética de dados e na manutenção do padrão de excelência, evitando que as equipes se contentem com resultados medianos gerados por prompts superficiais. Neste contexto, a in.Pacto vem se destacando pela capacidade de desenvolver ecossistemas próprios. O primeiro é um hub interno treinado com duas décadas de histórico da agência, agilizando o onboarding de novos criativos. O segundo foca no cliente, com “gêmeos digitais” baseados nas brand personas, adestrados com diretrizes específicas de grandes corporações, o que reduz em 70% o tempo de rascunho de comunicados e roteiros. O terceiro pilar é a Hit Labz, startup do grupo que deu origem a soluções como o Aura (interfaces interativas para eventos) e o inPulse AI, uma IA corporativa com dados armazenados no País. “A agência decidiu virar também uma empresa de tecnologia”, pontua Fortes. Um dos pioneiros na contratação de engenheiros de prompt, o grupo prefere o termo Estrategista de IA. São profissionais com repertório humanístico – ex-redatores e planejadores – que atuam como maestros, criando bibliotecas de prompts otimizados. Segundo Fortes, isso vem resultando em ganhos reais de produtividade: redução de 40% no tempo de adaptação de formatos digitais e processamento imediato de milhares de menções em relatórios de PR. Contudo, ressalta que o objetivo não é apenas rapidez: “Buscamos realocar o tempo humano onde ele gera valor: na estratégia, na empatia e na conexão real com o cliente. Até porque, o futuro pertencerá às agências capazes de hiperpersonalizar, em escala, indo além do perfil demográfico e focando no contexto exato do momento e da preferência de consumo de informação de cada stakeholder”. Vitor Fortes, da in.Pacto: capacidade de desenvolver ecossistemas próprios e foco na ética de dados
RkJQdWJsaXNoZXIy NDU0Njk=