Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026

Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 229 municação está com um defeito na mão – e principalmente o marketing. Vai ter que mudar tudo”. A questão que intriga Marinho vai além dos dados: “Onde está o PIB? Onde está o capital? Você vê empresas falando ‘precisamos rejuvenescer nossa marca para atingir os jovens’, que não têm capital para comprar. A conta não fecha”. Para Cléa Klouri, o desconhecimento é histórico: “Quando a gente começou, as pesquisas de mercado paravam nos 45, 50 anos. As empresas queriam falar com quem ia até ali. Elas realmente não conhecem esse consumidor e suas características. Em Cannes, o festival internacional de publicidade, foi mostrado que 70% das agências nunca receberam um briefing para fazer uma campanha para os 50+”. Etarismo: preconceito custa caro Se a geração prateada é uma potência econômica, por que o mercado de trabalho ainda insiste em tratá-la como descartável? A resposta está em um dos preconceitos mais invisíveis e mais danosos, da nossa sociedade: o etarismo – a discriminação baseada na idade. Os números são reveladores e desconfortáveis. Uma pesquisa global da consultoria Michael Page, o Talent Trends 2025, realizada com 50 mil trabalhadores em 36 países, mostrou que 41% dos profissionais brasileiros enfrentam algum tipo de discriminação relacionada à idade no ambiente de trabalho, acima da média mundial de 36%. O estudo Etarismo e Inclusão, realizado pela Robert Half em 2023, revelou que 70% das empresas brasileiras contratam muito pouco ou nenhum profissional com mais de 50 anos. Luís Dolci, diretor de RP da Lema+, identifica um obstáculo cultural como raiz do problema: “Um dos principais desafios quando a gente fala dessa geração 50+ é um obstáculo cultural. Temos profissionais jovens que trazem uma fluidez, uma leitura rápida de tendências e de domínio de novos formatos. E temos essa geração mais experiente, com um repertório histórico e um senso crítico diferenciado. O que falta é o mercado identificar isso com clareza. Ainda estamos muito distantes do cenário ideal”. Cleinaldo Simões, diretor-proprietário da Cleinaldo Simões Assessoria de Imprensa, identifica duas grandes barreiras de entrada do profissional sênior no mundo corporativo: “A primeira é o plano de saúde. As empresas têm medo de empregar gente mais velha em função do custo, porque ela pode ficar doLuís Dolci, da Lema+: complementaridade entre gerações na criação de campanhas, no universo de relações públicas, é fundamental para construir narrativas mais consistentes Paulo Marinho, do bstory: a comunicação, como arquiteta de narrativas internas e externas, pode mudar a percepção coletiva sobre o envelhecimento, a experiência e o valor de uma vida profissional longa

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