Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 230 GERAÇÃO 50+ ente. O segundo aspecto é relacionado à formação das novas gerações empresariais e profissionais em todos os mercados. As pessoas são muito inseguras em lidar com profissionais seniores. Pois o conhecimento e a experiência deles assusta”. O etarismo, como aponta Paulo Nassar, tem raízes filosóficas mais profundas do que parece: “A sociedade produz uma narrativa sobre o velho. E aí, pegando carona em Simone de Beauvoir: a velhice é menos um fato psicológico e mais um fato social. Ela depende de como a sociedade decide olhar para quem viveu muito. O fato de ser velho não significa que você é obsoleto, que você é descartável. Mas a velhice hoje está se antecipando no tempo. Ela não se dá mais com 80 anos. Ela se dá hoje com 40 anos”. Ele prossegue: “As profissões foram contaminadas pela ideia de obsolescência – essa ideia mercadológica. Você tem de considerar aquilo que atingiu, os conhecimentos que acumulou. Como ser humano, eu não posso entrar na ideia de que sou como um sistema já com uma obsolescência programada”. Mauro Wainstock, sócio-fundador do Hub 40+, especialista em diversidade geracional e palestrante da cerimônia de abertura do Prêmio bstory 2025, tem uma visão pragmática do cenário: “Quando a gente fala da área de tecnologia, metade dos diretores de TI no Brasil estão acima de 50 anos. Então, não faz sentido dizer que essa geração não entende de tecnologia. É impressionante que as pessoas continuem repetindo isso”. Wainstock cita dois exemplos: “Milton Beck (diretor-geral do LinkedIn para América Latina e África) e Guilherme Horn (head do Whatsapp para Mercados Estratégicos) são nomes que todos conhecem. Que lideram empresas. E têm mais de 50 anos”. Maria Elisa Alves, gerente da Dona Comunicação, tem na prática do dia a dia a melhor refutação ao preconceito: “Contratar pessoas 50+ não cria nenhum constrangimento com nossos clientes. Ao contrário: as pessoas ouvem mais, sabem que a gente tem experiência, querem saber o que temos a oferecer. O fato de sermos mais velhos não quer dizer que ficamos no passado. A gente também se atualizou, também é criativo, também acompanha. Gestão de crise, por exemplo, é muito difícil uma crise nos assustar – já passamos por tudo que se possa imaginar”. A consequência mais silenciosa do etarismo é a que Maria Elisa descreve ao contar sua própria exMauro Wainstock, da Hub 40+: na área de tecnologia, metade dos diretores de TI no Brasil estão acima de 50 anos Cleinaldo Simões, assessor de imprensa: empresas manifestam insegurança para lidar com profissionais seniores porque o conhecimento e a experiência deles assustam
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