Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 232 GERAÇÃO 50+ de de continuar fazendo sentido ao longo do tempo. Certas obras, certas instituições, certas pessoas e certos conhecimentos atravessam décadas ou séculos sem perder relevância. Eles sobrevivem porque conseguem dialogar continuamente com novas gerações”. O presidente da Aberje assinala que a longevidade está ligada à capacidade de permanecer relevante ao longo do tempo: “Quando você teve oportunidade e soube se reinventar, soube ter várias identidades dentro do campo profissional, você constrói um portfólio pessoal com uma formação privilegiada. Nós atravessamos a época da máquina de escrever, do computador e hoje estamos na era da inteligência artificial”. Mauro Wainstock corrobora com a visão humanista: “Nós, como seres humanos, temos uma capacidade incrível de adaptação e reinvenção que não é percebida por nós mesmos. O mais novo pode entender a tecnologia porque nasceu nesse mundo, mas não quer dizer que o mais velho, com a experiência dele, não vai ter uma solução mais adequada. Eu acredito na interação entre eles. Cada um traz uma bagagem diferente. Chegamos aos 50 já tendo passado por uma série de questões que os mais jovens ainda vão enfrentar. Foi uma construção, uma evolução, um processo. Conhecimento técnico, conhecimento ecológico, conhecimento de vida. Aí está a grande diferença”. Mórris Litvak, fundador e CEO da Maturi, aprendeu essa lição não em livros, mas na vida. Foi o trabalho voluntário numa instituição de longa permanência para idosos, anos antes de criar a Maturi, que acendeu sua percepção: “Conversava muito com eles e via que eram pessoas que tinham histórias incríveis para passar, mas mal recebiam visita de familiares”. E foi a trajetória de sua avó – que trabalhou até os 82 anos e decaiu rapidamente depois de uma queda que a forçou a parar – que selou seu propósito: “A partir do momento que ela passou a ficar em casa o dia inteiro, sem fazer nada, só assistindo TV, aí sim a saúde dela decaiu rápido”. Kleber Pinto, sócio-fundador da Midiaria, percebe essa conexão em sua própria trajetória profissional: “Veio com a maturidade, você vai vendo que existem outras possibilidades na comunicação. A pandemia nos fez olhar para a longevidade de outra forma – mexeu bastante com a gente nesse lugar da finitude. Começamos a entender que a comunicação também precisava acompanhar esse novo momento”. Kleber Pinto, da Midiaria: a comunicação precisa acompanhar o mundo que existe, não o mundo que o briefing imaginou Mórris Litvak, da Maturi: empresas mais interessadas em aprender sobre o tema do que, na prática, contratar pessoas 50+; o preconceito existe
RkJQdWJsaXNoZXIy NDU0Njk=