Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026

Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 237 Geração que atravessou épocas Há uma imagem que Paulo Nassar usa em seu ensaio O velho e o mar para sintetizar, com rara precisão, a riqueza da geração 50+ no mundo contemporâneo. É a imagem de alguém que “olha para trás e percebe quantas versões do mundo já atravessou”. Que “pode ter tido oportunidade na sua jornada de vida de ter se reinventado muitas vezes, de ter tido muitas identidades dentro de um campo profissional”. Para Nassar, a longevidade profissional está ligada exatamente a essa capacidade de atravessar épocas sem perder relevância: “Nós atravessamos a época da ditadura, a época da transição democrática, a época da máquina de escrever, do computador, e hoje estamos numa época em que tudo é da inteligência artificial. A longevidade está ligada à nossa capacidade de permanecer relevantes ao longo do tempo. É ter capacidade de se ressignificar, de se adaptar às mudanças”. E conclui com uma distinção que deveria estar na parede de todo departamento de RH do Brasil: “Velhice não é obsolescência. Ser velho é atravessar o tempo do corpo e da memória. Ser obsoleto é perder lugar dentro de um sistema técnico. Ser longevo é continuar produzindo sentido apesar da passagem dos anos. Porque, no fundo, a questão não é apenas quanto tempo algo dura. A questão é o que, afinal, merece durar”. Essa distinção está no coração do que o Movimento bstory, a Data8, a Maturi, a Talento Sênior, a Midiaria e tantas outras organizações estão construindo. É um argumento filosófico que virou iniciativa de mercado. Uma ideia que virou prêmio. Um preconceito que está, lentamente, encontrando resistência organizada. Luzes que precisamos acender A metáfora está no próprio título deste artigo: luzes que se acendem em meio à escuridão. E ela nunca foi tão precisa. A escuridão é o etarismo, esse preconceito silencioso que custa caro a indivíduos, empresas e ao País. Que desperdiça décadas de experiência acumulada, que empurra profissionais competentes para as margens da informalidade, que priva as organizações de uma fonte preciosa de conhecimento tácito, equilíbrio e visão estratégica. AnuncioCorporativoTruly.pdf 1 17/03/26 15:13

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