Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026

COMUNICAÇÃO NA SAÚDE Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 246 camentos; e o laboratório suíço Ferrin. O atendimento conta com jornalistas com experiência em imprensa de saúde para responder pela curadoria de informação de alto nível, exigida para lidar com os grandes temas da área. “A saúde precisa estar dentro da conversa social, olhando o que o público quer e precisa saber para tirar dúvidas”, afirma Claudio. Isso exige investigação mais aprofundada e ciclo de perguntas alongado para criar planos de comunicação capazes de fazer diferença na sociedade e angariar autoridade. “Interferir em saúde é um esforço não pueril. É um mergulho de reportagem para levantar informações, com política ativa de extrair e organizar conteúdo para levar para a mídia ou a redes sociais e empresas, entendendo seu papel na cadeia para escolher território de fala e temáticas”, pondera. Tudo isso exige porta-vozes preparados e capazes de traduzir temas complexos para o cidadão comum, entre eles pesquisas em curso, estudos de casos, tendências, novas terapias ou futuro dos tratamentos. No centro, curadoria de conteúdo com clareza, objetividade e conexão com os temas discutidos pela sociedade, apoiados na tríade relevância, consistência e confiabilidade – além, é claro, de agilidade, no caso da imprensa. “O primeiro público a ser conquistado é o jornalista, e como a imprensa brasileira tem ótimos profissionais de saúde, exige contrapartida à altura”, diz Claudio. Porta-vozes são tradutores Danielle Costa Ogeda, gerente sênior de comunicação institucional do Aché Laboratórios, concorda que a complexidade do setor exige porta-vozes capazes de traduzir conteúdos técnicos em informação correta e de qualidade. A regulação setorial, que restringe a comunicação de produtos a médicos, levou a empresa a criar legado de pioneirismo na relação com os profissionais, o primeiro stakeholder alvo de conteúdos com informação científica qualificada. Com a criação de novas formas de comunicação e a oportunidade de contato direto com os pacientes e com a sociedade, a companhia hoje chega à imprensa qualificada e às redes sociais abordando questões como conscientização sobre doenças, já que normas da Anvisa proíbem propaganda direta sobre medicamentos – o que demanda cuidados como orientação aos colaboradores de evitarem até postar fotos de congressos em que apareçam painéis expondo moléculas ao fundo, por exemplo. Mas o maior desafio da área é a desinformação, incluindo fake news e informações equivocadas sobre tratamentos, que atingiu seu ápice durante a pandemia. “Nunca vi nada igual. Menções equivocadas em relação a vacinas levoaram muita gente a tomar decisões que puseram a vida em risco”, diz Danielle, então atuando em empresa fabricante de vacinas. Hoje os perigos incluem números alarmantes de conteúdos presentes em redes sociais induzindo a automedicação. “Quem trabalha no setor tem compromisso ético, mas alguém sem formação em saúde dificilmente sofre consequências se faz alguma postagem indicando medicamentos até para usos não previstos, por exemplo”, explica a executiva. Enquanto a desinformação não respeita regras e é veloz, dentro da empresa, qualquer conteúdo, press release, post ou fala de executivos a serem Luís Fernando Bovo: a resposta à desinformação está em reforçar fontes confiáveis, investir em educação e atuar de forma ativa nas redes © Nunno_Fonseca

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