Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 247 divulgados pode exigir conversas profundas com cientistas e áreas médicas, esmiuçando inclusive questões como a realidade dos pacientes a serem beneficiados e quais as possíveis lacunas, como falta de acesso ou adesão a tratamentos ou dificuldade no manejo. “Dependendo do tema, é necessário passar por áreas como jurídico, compliance e regulatório”, observa. O monitoramento de termos como marcas, medicamentos e moléculas sustenta compromisso com a Anvisa – se um determinado produto é mencionado há obrigação de reporte pela área de fármaco-vigilância indicando, por exemplo, potencial evento adverso, o que pode provocar desde atualização de bulas até descoberta de inovações. “Casos famosos incluem medicamento para hipertensão pulmonar cujo efeito adverso relatado o levou a indicação por disfunção erétil e canetas contra diabetes hoje indicadas contra obesidade”, relaciona Danielle. No dia a dia, a companhia entra em contato com pacientes para avaliação de casos ou fornece respostas via redes sociais. Mas, se o alcance das redes sociais traz o desafio de potencializar a desinformação, inclusive pelo baixo letramento da população em ciência, também se torna oportunidade para o setor entrar na conversa da sociedade com campanhas de conscientização, fóruns de saúde e influenciadores qualificados, apoiando outros instrumentos como o relacionamento com a imprensa. “A desinformação é combatida com conteúdo técnico, para a informação ocupar o espaço de diálogo”, reforça Danielle. Exemplar nesse sentido é o posicionamento do presidente do Aché, José Vicente Marino, no Linkedin. Do ano passado para cá, a estratégia centrada em temas como liderança, inovação em saúde e cultura corporativa rendeu o reconhecimento dele como Top Voice, com 45 mil seguidores. “É importante mostrar que há pessoas no diálogo”, acrescenta Danielle. Em oportunidades institucionais, o executivo aproveita a escala de sua voz para levar conhecimento sobre saúde para a população. Um dos cases bem-sucedidos do Aché para participar do diálogo social é a campanha Asma do Jeito Certo, iniciada no ano passado e voltada à conscientização de pacientes sobre a condição como doença crônica. A ação leva em conta a identificação de cerca de 20 milhões de brasileiros com asma, a maioria não tratada, com desafios que incluem desde a morte de sete pessoas diariamente pela doença até o diagnóstico correto, passando por atualização de protocolos de tratamento na saúde pública e acesso ao tratamento. O movimento, liderado pelo time de marketing, tem o mote A vida é de tirar o fôlego, a asma não precisa ser, mostrando a possibilidade de pacientes viverem momentos muitas vezes desafiadores, como a prática de esportes. Outro exemplo é o apoio ao documentário Nossa Mente, discutindo questões relacionadas ao sistema nervoso central com especialistas, nutricionistas, psicólogos, psiquiatras e pacientes, mostrando histórias relacionadas a questões como doença degenerativa e ansiedade. “É uma forma de colocar o diálogo para a pessoa ver se tem sintoma semelhante ou se precisa de ajuda”, detalha Danielle. Mais cases renderam espaços na mídia especializada, como o aplicativo para médicos App Prev Tev, em parceria com a Science Valley, para auxiliar na avaliação de risco de tromboembolismo venoso (TEV), e a campanha da marca de vitamina Sany D na Estação da Luz, em São Paulo, conscientizando Giuliana Gregori, da LLYC: empresas do setor consolidam suas marcas ao se posicionarem como parceiras, não apenas como fornecedoras do ecossistema de saúde
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