Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 251 com time próprio e, no momento, atua em torno da reforma tributária na questão do consumo de álcool, sobre a qual tem pesquisas inclusive em parceria com a Fiocruz, mostrando o impacto na saúde da população e no SUS. “É um eixo mundial e aqui a reforma surge como oportunidade para o governo avançar no combate aos efeitos nocivos do álcool e implementar política que tenha retorno para a saúde”, diz Érica Benute, sócia da agência. Um dos movimentos detectados no setor de saúde é a organização da sociedade civil em torno do tema, replicando o que ocorreu no segmento da educação nas últimas décadas. “Com a pandemia, houve um olhar mais cuidadoso direcionado para a saúde e o momento é de trabalhar essa agenda”, explica Reni Tognoni, também sócia da agência. Além do fortalecimento de organizações já atuantes no período, surgiram muitas outras, reproduzindo a lógica da educação, com alinhamento em coalizões e esforços tripartites, unindo iniciativa privada, governo e sociedade civil. Outra oportunidade no segmento de atuação da Analítica é a liberdade de trazer dados e pesquisas de maneira isenta, para serem usados pela sociedade em geral, com apresentação por meio de relacionamento com imprensa, digital, influenciadores e branded content. No ano passado, um dos cases de sucesso com influenciadores, com foco em conscientização sobre alimentos ultraprocessados, envolveu seleção daqueles com audiência entre comunidades de morros cariocas para levar informação sobre alimentação saudável, com cuidados para eliminar aqueles que tivessem relacionamento com a indústria. Do lado dos desafios, as especialistas relacionam o tamanho reduzido das redações e a escassez de profissionais qualificados, além da dificuldade em traduzir em linguagem clara e didática o que são os dados e o que representam. “Pesquisadores são preciosistas e temos de explicar para os clientes que uma frase de cinco linhas vai ser reduzida em uma só no título. Cabe a nós fazer essa tradução e exercitar porta-vozes e interfaces para alcançar linguagem clara e direta”, exemplifica Erica. Outra barreira inicial é a falta de entendimento do sistema pela população – muito do trabalho é mostrar até que ponto qualquer cidadão no País é usuário do SUS em alguma instância, inclusive aqueles atendidos também pelo setor privado. “É uma premissa de partida. Toda a água que tomamos é aferida pelo SUS, que também é responsável por vacinas”, ilustra. O desconhecimento também exige enfrentamento, já que nem sempre há clareza do quanto determinada substância, de fato, afeta a vida. A pauta é reforçada por desinformação e enfrentada com monitoramento para identificar ruídos e atuar com comunicação propositiva correta, o que ocorre principalmente com narrativas enviesadas. “Se surgem discursos como ‘jovens estão bebendo menos’, mostramos dados com informação 100% confiável explicando o cenário real – eles bebem cada vez mais”, exemplifica Erica. Credibilidade e transparência “A principal questão na saúde é ser transparente, pois é técnica e demanda didatismo na explicação. Não dá para não ser claro”, afirma Marco Antonio Sabino, fundador da S/A Comunicação. Marco Antonio Sabino, da S/A Comunicação: porta-voz humanizado preparado para fornecer explicações técnicas, com transparência e em acordo com código de ética
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