Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 259 absolutas que se desfizeram pós-pandemia transformaram-se e não voltarão mais na mesma forma. Isso não significa que a atividade tradicional, resultado de um arroz com feijão muito bem-feito, morreu. Aliás, jornalistas e influenciadores ainda lembram muito dele ante a pergunta se já percebem o traço da inovação nas ações de agências e empresas em sua comunicação corporativa. “Depois da pandemia, não sei se pelos orçamentos ou opção pela facilidade de resultados, muitas vezes sem engajamento nas mídias que geram essas notícias, senti que nem o feijão com arroz bem-feito está sendo realizado” afirma o news influencer em tecnologia Armindo Ferreira, jornalista e influenciador independente. “Eventos presenciais, relacionamento, tratamento personalizado são importantes, sempre, mas estão sendo deixados de lado muitas vezes”. Ele alerta para um fato importante: mesmo nas assessorias e empresas que fazem um bom trabalho, muitas vezes o passo da atualização precisa ser dado. “Recebo ainda materiais sem fotos e vídeos na opção vertical e hoje a maioria dos conteúdos é vista pelo celular”, conta Armindo. Só para ilustrar, segundo dados do Digital News Report 2025, realizado pelo Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, ligado à Universidade de Oxford, 82% dos participantes disseram acessar notícias pelo celular. Ele diz que pediu para as plataformas de disparos de press releases que cancelassem o envio de várias agências/empresas. Mesmo assim, no dia em que a entrevista foi realizada (6/3/2026), ele havia recebido 323 textos, dos quais deletou 317. “Geralmente utilizo 1% dos press releases que recebo no dia. Com a inteligência artificial no Google perdi muito tráfego e isso era importante para mim, inclusive financeiramente. Então, hoje, com notícias commodities geradas pelos press releases, preciso ter uma abordagem e uma temática diferentes. A minha meta é ter essa visão diferenciada. Esse tipo de reportagem ganha força contra a inteligência artificial”. “Percebo que muitas empresas estão mudando, sim, a comunicação corporativa” adverte Alex Ruffo, jornalista automotivo e comentarista de mobilidade urbana na Jovem Pan, com 40 anos de cobertura na Fórmula 1. “Entenderam que o tiro de canhão, mais generalista, ficou para trás e agora são snipers. A eficácia mudou. No setor automotivo, por exemplo, além das mídias tradicionais, que Leonardo Bersi, da Máquina (Burson Brazil Group): executar bem as relações com a mídia tradicional já não é suficiente Michele Cruz, da Dupla Comunicação: atenção a outras oportunidades de comunicação, com mudança de perspectiva
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