MEDIA TRAINING Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 268 mensagens no tempo e da forma adequados”, diz Rodrigues, da OvoCom. A agência, 25ª colocada no ranking desta edição do Anuário da Comunicação Corporativa, presta o serviço em questão desde que chegou à praça, há nove anos. É das raras que não cobram à parte pela execução desse trabalho. “O letramento é embutido no fee. Consideramos que colocar um cliente para dar declarações à imprensa sem lhe garantir a devida preparação é o mesmo que entregar um carro nas mãos de um motorista sem carteira de habilitação”, diz Rodrigues. Também para mitigar riscos de derrapagens e trombadas, a OvoCom trata de identificar e sugerir para os clientes os porta-vozes ideais em diferentes temas, considerando suas expertises e talentos como comunicadores. Batido o martelo, tem início o treinamento dos eleitos, que consta, em média, de 90 minutos de teoria sobre diferentes canais e mídias, como jornais e revistas, televisão, rádio, podcasts e redes sociais, e meia hora de simulações e exercícios práticos. Por fim, a equipe da agência dá dicas do que pode e do que não pode ser feito, orientando expressamente os alunos a não darem palpites ou tentarem interferir no processo editorial, formulando, por exemplo, a “clássica” questão mencionada no início dessa reportagem. “Duas horas são suficientes para a assimilação das lições principais. Em treinamentos mais longos, a capacidade de retenção de informações pelos executivos tende a cair”, observa Rodrigues. O cardápio da agência prevê ainda reforços anuais, para “refrescar” os conceitos transmitidos na “sala de aula”. O aprendizado e a retenção de informações contam ainda a seu favor com os rotineiros processos de preparação para entrevistas, os chamados media briefings, em que são analisados os jornalistas e os seus veículos e definidos os “recados” a serem transmitidos durante os encontros. “Buscamos preparar os porta-vozes para dispor de pelo menos três mensagens a serem apresentadas em entrevistas, almoços e happy hours com jornalistas”, assinala Rodrigues. O leque de oportunidades está em expansão. A OvoCom realiza de forma crescente treinamentos para palestras e apresentações, que demandam uma “grade curricular” distinta, com temas como dicção, postura e narrativa. Outro filão promissor é o de relações com investidores (RI), no qual a agência começa a ser introduzida por uma varejista de medicamentos de capital aberto. “A área de RI desse cliente reúne-se regularmente conosco para debater estratégias de comunicação para a divulgação, por exemplo, de demonstrações financeiras”, diz Rodrigues. “Ainda não temos treinamentos específicos para a área, mas estamos atentos, pois a procura vem aumentando”. Cada qual ao seu jeito, as agências, a exemplo da Ovo, vêm agregando ingredientes e temperos ao serviço. A G&A Comunicação Corporativa, uma das introdutoras do media training para televisão no Brasil (ver box na página 276), tem entre suas prioridades garantir equilíbrio emocional aos treinandos. A vertente passou a ser explorada depois que a sócia-presidente Lais Guarizzi presenciou a radical mudança de comportamento do presidente de uma indústria farmacêutica que, repentinamente, viu-se sob pressão. “Durante uma entrevista, ele, que era articulado e tinha sólida formação, começou a suar, gaguejar e a ficar vermelho diante do jornalista, que o conhecia e respeitava”, conta ela. “Conclusão: embora fosse um ótimo porta-voz para os momentos tranquilos, ele não estava preRenan Tondato Rodrigues, da Ovo: media training é cortesia para a clientela
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