Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 269 parado emocionalmente para enfrentar situações de crise”. A experiência motivou-a a buscar formas de ajudar a freguesia a manter mente e nervos sob controle. Lais fez uma pós-graduação em Neurociência na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e também buscou especialização em mindfulness, técnica de concentração baseada em práticas orientais. Ambas as bagagens são aplicadas em capacitações de porta-vozes. “Levantamos previamente questões sensíveis para os clientes, como acusações infundadas de emissão de poluentes, e os submetemos a exercícios para estimular o seu controle emocional”, diz ela, que se opõe a “tratamentos de choque”. “Até hoje, os jornalistas são apresentados em muitos media trainings como ‘bichos papões’, o que só provoca temores”. A rotina de trabalho da G&A na área prevê como primeiro passo reuniões para avaliar necessidades e pontos fracos dos clientes. Os treinamentos contam com jornalistas convidados, geralmente de TV, fonoaudiólogas e a estrategista digital da casa, Patricia Hamada. Depois de duas sessões de simulação, pela manhã e à tarde, e das avaliações a agência providencia a entrega das gravações das entrevistas e de um e-book com 25 páginas que traz um resumo das lições do curso e apresenta dicas de filmes e leituras e exemplos de boas e más entrevistas. “A demanda mantém-se firme. Em média, promovemos um media training por mês e estamos nos preparando para um evento de fôlego, voltado a 30 executivos de uma empresa”, diz Lais. Responsável há um quarto de século pela condução desses trabalhos na G&A, em parceria com a vice-presidente Heloisa Picos, ela já presenciou situações hilárias e nada convencionais em treinamentos de porta-vozes. Um pedido sui generis foi apresentado, há tempos, por uma empresa familiar que queria harmonizar o discurso dos fundadores e de seus descendentes, por assim dizer. “A segunda geração estava lavando a roupa suja da família publicamente, causando problemas para o negócio do clã. Deu trabalho, mas conseguimos resolver o imbroglio”, diz Lais. Comandada pelas jornalistas Lígia Batista e Priscilla Caetano, a Aliá RP teve de reformular às pressas seus métodos de treinamento logo após a inauguração de seu escritório, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O isolamento social ditado pela eclosão da pandemia da Covid-19, em março de 2020, obrigou a agência-butique a prestar o serviço de forma remota. “Eu, que estava com Covid, treinei por videoconferência a equipe de uma grande empresa. Correu tudo bem”, lembra Lígia. A tarefa executada na ocasião – a capacitação de porta-vozes para interagirem com a imprensa –, não é, contudo, das mais demandadas. Com um leque mais amplo, a casa oferece “treinamentos de comunicação”, no plural, como indica em seu site. “Dos seis cursos que realizamos em média por ano, um ou dois, no máximo, são focados em relações com os meios de comunicação”, diz Lígia. “Há uma preocupação em aprimorar a comunicação com outros públicos estratégicos”. Das novas frentes de atuação da Aliá RP, uma vem ganhando volume no mercado: a preparação de executivos para proferir palestras. Outros destaques são treinamentos para equipes de comuniLais Guarizzi, da G&A: Neurociência e mindfulness aplicadas ao treinamento
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