Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026

MEDIA TRAINING Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 270 cação interna, com o objetivo de habilitá-las a falar com funcionários mais jovens, da “geração z”, e de vendas. Um dos primeiros trabalhos da agência nesta seara, curiosamente, foi encomendado logo após um media training tradicional. “A diretora comercial do cliente, que participara do curso, nos pediu uma ação para tornar mais convincente o discurso de vendas do seu time”, diz Lígia. “O modelo que desenvolvemos despertou o interesse de outras empresas”. Como é de praxe no segmento, as capacitações conduzidas pela Aliá RP são realizadas em sessões duplas, pela manhã e à tarde. A equipe de apoio conta com fonoaudiólogo(a)s, linguistas, jornalistas, cinegrafistas e de uma atriz com boa quilometragem de palco, que orienta os treinandos sobre postura, gestos, entonação de voz e presença em cena. No fim das jornadas, são exibidas e analisadas as performances dos participantes, que, não raro, ficam surpresos com suas reações diante da câmera às “cascas de banana” atiradas pelos entrevistadores. Lígia lembra, em particular, da simulação de um programa de videocast na qual um executivo, irritado com as insistentes perguntas do jornalista sobre um mesmo tema, começou a enrijecer o corpo, a elevar o tom de voz e a bater insistentemente com os dedos na mesa. Suas respostas, observa a sócia da Aliá RP, eram educadas, mas a postura e os gestos tinham conotações agressivas. “Quando lhe apresentamos o vídeo da entrevista, ele ficou consternado: ‘Não sou essa pessoa!’, exclamou. Dessa forma, assimilou a lição de que o corpo também fala”, diz ela. Criativas no aperfeiçoamento e na diversificação do serviço em questão, as agências, de um modo geral, ainda oferecem poucos treinamentos robustos para habilitar clientes a darem recados nas redes sociais. Uma exceção é a Truly Comunicação, que conta com um acadêmico na área. Trata-se do jornalista Ricardo Nóbrega, líder de Social e Training da casa, que concluiu em 2020 o mestrado em Comunicação na Faculdade Cásper Líbero com a dissertação “As transformações do media training na sociedade de plataforma: Por uma redefinição do conceito”, cujas ideias e conclusões deram origem ao Social Media Training, lançado pela Truly no início da década. “A grande maioria das empresas que nos procuram têm interesse em preparar dirigentes para interagir com a imprensa”, conta Nóbrega. “O media training tradicional, é fato, nunca vai desaparecer, mas o novo e complexo cenário midiático torna necessárias outras habilitações”. A argumentação tem encontrado eco. No último ano, a Truly promoveu quatro media trainings convencionais e cinco centrados nas redes sociais. Uma das turmas de destaque em 2025 era formada por médicos do Hospital São Camilo, de São Paulo, que frequentaram as aulas de ambos os cursos. No Social Media Training, eles foram alertados sobre os riscos dos rastros digitais. “Posts preconceituosos colocados nas redes sociais há muitos anos podem ser identificados a qualquer momento, causando problemas para funcionários e empresas”, comenta Nóbrega. Como não há forma de apagar esses registros, o líder de Social e Training da agência recomenda a adoção pelas empresas de políticas de conduta nas redes sociais. A iniciativa, voltada a todos os níveis das pirâmides corporativas, tem se traduziLígia Batista, da Aliá PR: arremessos certeiros de “cascas de banana” aos entrevistados

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