Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026

Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 271 do no lançamento em escala crescente de manuais com indicações do que pode e, especialmente, do que não deve ser feito em WhatsApp, Instagram, Linkedin, Facebook, YouTube, TikTok etc. No Brasil, o movimento é liderado por grandes companhias, em sua maioria subsidiárias de grupos estrangeiros. Entre as de menor porte figura uma cliente da Truly, a Unoeste, instituição de ensino superior do Guarujá, no litoral paulista. “A equipe de comunicação da Unoeste frequentou o Social Media Training e desenvolveu, a seguir, um aplicativo para consultas pelos colaboradores da casa”, diz Nóbrega. O potencial de negócios em letramento digital, a seu ver, é enorme. Nóbrega cita a respeito pesquisa conduzida em 2022 por Felipe Bogéa, professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP), segundo a qual só 23% dos presidentes de empresas do País atuam regularmente no Linkedin. “Temos, portanto, 77% dos CEOs para treinar. Isso sem falar de outros executivos e de funcionários menos graduados”, diz. Uma peculiaridade do filão mais tradicional desse mercado – leia-se: os media trainings – é a disputa entre agências e jornalistas de prestígio, caso de Heródoto Barbeiro. Com larga trajetória no rádio e na TV, Heródoto marca presença há mais de 30 anos em capacitações de porta-vozes corporativos realizadas por firmas de RP. “Comecei a ser convidado a falar sobre jornalismo e a ética na relação de profissionais de imprensa com as suas fontes, entre outros temas, e também para fazer entrevistas”, diz ele. “A rotina se mantém: volta e meia, sou convocado por agências”. Pouco tempo depois de sua estreia no métier, o jornalista passou a ter os seus serviços solicitados diretamente por grandes empresas. Desde então, dedica-se à tarefa, que tem se traduzido, ao longo dos últimos anos, na média de 15 a 20 cursos com três horas de duração por temporada. “Na parte teórica, participam até 30 treinandos”, diz. “O número cai para oito nos exercícios práticos, que compreendem entrevistas e avaliações dos inscritos”. Com bagagem de sobra também como professor dos ensinos médio e superior, Heródoto trata de colocar lenha na fogueira logo no início das aulas. “O que vocês vendem?” é uma de suas primeiras indagações aos treinandos. “Se, por hipótese, o cliente é uma companhia aérea, digo, após ouvir as respostas triviais, que, a meu ver, a principal ‘mercadoria’ vendida pela empresa é segurança”, conta. “Provoco o debate para ajudar na reflexão e definição das key messages”. Mestre em História pela Universidade de São Paulo (USP), Heródoto é autor de uma das raras obras sobre treinamento de porta-vozes. Lançado em 2008, Mídia training – Como usar a imprensa a seu favor teve duas reedições, em 2011 e no ano seguinte, e ressurgiu nas livrarias em 2020 com novo e chamativo subtítulo, afinado com o presente: “Como usar as mídias sociais a seu favor”. Em seus 28 capítulos, o volume disseca a imprensa, apresenta um glossário de termos jornalísticos, trata de ética, analisa casos de sucesso e fiascos da comunicação corporativa e faz dezenas de recomendações. Em “Muletas de entrevistados”, por exemplo, o autor lista 59 clichês e lugares comuns que devem ser evitados em conversas com a imprensa, como “ironia do destino”, “pomo de discórdia”, “consenso geral”, “tenra idade”, “justa homenagem” etc. Com relação às redes sociais, Ricardo Nóbrega, da Truly: mestrado na Cásper Líbero serviu de base ao Social Media Training

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