Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026

MEDIA TRAINING Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 272 Heródoto aconselha empresários e executivos a terem bom senso e cuidado e a obedecerem cegamente a uma regra por ele seguida: “Perfis nas redes devem se ater apenas a questões profissionais, deixando de lado assuntos pessoais”. César Galvão, que soma mais de três décadas de jornalismo em rádio e, sobretudo, televisão, também vem disputando mercado com as agências de comunicação em treinamentos de porta- -vozes. Durante a sua passagem de 24 anos pela TV Globo, ele atuou em um único media training, mas acabou se arrependendo. “Percebi que haveria conflito de interesses se tivesse de fazer reportagens sobre empresas que haviam contado com a minha orientação. Decidi, então, que só voltaria a trabalhar com comunicação corporativa quando estivesse afastado da TV”, conta. A retomada ocorreu em 2024, quando ele encerrou um curto período de colaboração com a TV Record. Datam daquele período as primeiras investidas no mercado da GA Galvão Serviços de Marketing e Treinamento, tocada a quatro mãos por César e seu filho Gabriel, que, com duas graduações pela Faculdade Cásper Líbero, responde pela área audiovisual do negócio. A GA Galvão prestou serviços para a Sabesp e foi procurada a seguir por um grande nome do ramo de concessões de serviços púbicos, o Grupo CCR, que mudou sua razão social para Motiva em 2025. “Eles queriam um profissional com olhar de repórter para treinar porta-vozes”, conta César. Acertados os ponteiros, ele desenhou um modelo de treinamento sob medida para a empresa, que mantém contato frequente com veículos de comunicação de dezenas de municípios assistidos por 45 rodovias em seis Estados. As inovações vão da parte teórica, apresentada previamente aos inscritos em três vídeos com duração total de 46 minutos, e aos exercícios práticos, que passaram a contar com questionários “cabeludos” elaborados pelo jornalista. “Pedi uma lista de todos os assuntos ‘doloridos’ para o cliente e os principais desafios enfrentados por seus porta-vozes. Além disso, pesquisei o noticiário sobre a empresa e me debrucei sobre os seus contratos de concessão, para conhecer em detalhes as suas regras”, conta César. O trabalho garantiu a formação de um estoque de cerca de 80 perguntas sobre diversos temas, que servem de matéria-prima para questionários mais enxutos – de 30 a 35 indagações para executivos, e de 16 a 23 para funcionários ligados ao dia das operações. Os primeiros duram de 40 a 50 minutos e os restantes, de 30 a 35. “Costumamos entrevistar de oito a dez porta-vozes por dia. Se o treinamento for mais profundo, formamos grupos de seis a oito pessoas”, diz César. As gravações são em dose dupla. Depois de encerradas as entrevistas, César enumera e analisa em vídeo, ao lado de cada um dos treinandos e de um representante da equipe de comunicação da Motiva, erros e acertos diante da câmera: respostas muito curtas ou longas, clareza do discurso, figurino, postura etc. “Entregue a todos os participantes e ao cliente, o material é muito mais eficaz do que os tradicionais relatórios impressos, que quase ninguém lê”, diz. Há dois anos na estrada, a GA Galvão continua a mostrar serviço. A pequena empresa, que prepara para breve o lançamento de um jornal em seu canal no YouTube, apresentou suas lições, recentemente, para o presidente e dois diretores da subsidiária local do grupo Perfeti Van Melle, referência Heródoto Barbeiro: mais de 30 anos de janela como convidado e promotor de media trainings

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