Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026

Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 287 pela UFBA e fundador das consultorias Trezion, Zygon e Digital is Cool. Para ele, partes mais técnicas do processo, como raspagem de dados, já são feitas com muita qualidade com o uso da IA, mas entender como essas informações impactam nas pessoas e nos negócios é prerrogativa do profissional da área, e dificilmente pode ser alcançada só com o uso da tecnologia. “No final das contas, a barreira é saber o que fazer com os dados e quais perguntas dirigir à IA para que ela entregue a informação que você necessita”, acrescenta. Fundador e CEO da Agência Pub, Ricardo Bonatelli acredita que essa evolução em relação ao uso de novas tecnologias para obtenção e análise de dados abriu caminhos para um perfil de profissional ainda raro no setor, capaz de falar a linguagem da comunicação e dos dados. “Pessoas que leem dashboards, cruzam tendências, entendem de distribuição e conseguem traduzir isso num raciocínio claro para um CEO viraram ouro dentro das empresas, isso porque o futuro não são dados versus criatividade, é criatividade com prova”. “Comunicação e dados são territórios distintos, ainda que complementares, e possuem lógicas e vocabulários diferentes, por isso não é fácil identificar profissionais que transitem entre as duas áreas com naturalidade”, acrescenta Ciro Dias Reis, CEO da Imagem Corporativa. “O perfil que o mercado vai cada vez mais valorizar não é o do analista de dados clássico nem do profissional de relações públicas tradicional. É de alguém que possui repertório, entende de narrativa e stakeholders, questiona uma métrica, sabe o que fazer com um dashboard. E, acima de tudo, consegue decodificar cenários: cruzar variáveis econômicas, políticas e setoriais com dados de comunicação e transformar isso em orientação estratégica. Quem não investir nessa formação vai ter dificuldade crescente para entregar o que os clientes estão começando a exigir. Não é uma questão de futuro distante. Já está acontecendo”. Seja pela falta de profissionais com conhecimento avançado nas ferramentas e estratégias que estão na vanguarda do uso de dados e métricas, seja pela própria falta de cultura das empresas, o que fica claro nessa relação é que há muito espaço para crescimento e oportunidades, especialmente para profissionais, consultorias e agências que estão se especializando nesse tipo de demanda. Um exemplo claro dessa fatia quase intocada no mercado está disponível na pesquisa Cultura de Dados, Mensuração e Inteligência Artificial na Comunicação, realizada pela Aberje em parceria com a Cortex, empresa especializada em big data. O levantamento, promovido nos meses de agosto e setembro de 2025 com 117 organizações empresariais, mostrou que apenas 10% delas puderam ser enquadradas como “avançadas” no uso de dados para planejamento e evolução de suas estratégias de negócio. Curiosamente, esse número foi 4% menor que o registrado na primeira edição da pesquisa, em 2023. “Queremos sempre entender e contribuir com a comunicação, que é o nosso lugar de fala”, explica Carlos Alberto Ramello, responsável pelo Núcleo de Pesquisas da Aberje. “Ao trazermos esses resultados, mostrando as necessidades e oportunidades na área, estamos contribuindo para o aperfeiçoamento da comunicação empresarial, para que ela tenha ainda mais posição estratégica dentro da organização. Trazer esses resultados para a discussão é muito importante para que o mercado possa se desenvolver ainda mais”. Lucas Reis, da Aberje: intuição chancelada por dados proporciona melhores condições de discutir investimento com CEOs e CFOs

RkJQdWJsaXNoZXIy NDU0Njk=