MENSURAÇÃO DE RESULTADOS Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 294 são”, explica. “Além disso, é fundamental que as empresas tenham um fluxo claro para que alguém fique responsável por traduzir aqueles números para a realidade do negócio. Essa pessoa precisa ter bastante conhecimento do negócio, força política e acesso direto aos tomadores de decisão”. “É aí que a maturidade do cliente aparece”, acrescenta Ricardo Bonatelli, da Pub. “Se a informação precisa subir três andares no organograma para alguém ’autorizar‘, a narrativa corre solta lá fora. Crise não respeita organograma. Por isso, desde o começo a gente briga por um modelo mais direto, com autonomia real. Não é ‘agilidade bonita’. É sobrevivência reputacional”. Ciro Dias Reis, da Imagem Corporativa, alerta que estruturas de governança desenhadas a partir de premissas já superadas ainda são os principais causadores de processos de comunicação pouco ágeis e produtivos: “O dado pode identificar um risco potencial ou um problema em tempo real e a recomendação pode estar pronta em horas, mas se o processo de aprovação do cliente levar dias o dado pode envelhecer, principalmente se estivermos falando de uma crise, em que tudo é muito dinâmico. Nos relacionamentos mais maduros, tratamos os fluxos de aprovação como parte da estratégia desde o início do contrato, não como detalhe operacional. Nem sempre é uma conversa fácil, mas ela é necessária. Na nossa experiência, essa abordagem define o nível de resultado que se consegue entregar”. Com o objetivo de facilitar essa abordagem e oferecer novos serviços que apoiem decisões estratégicas, a Sinopress vem investindo na evolução da entrega dos seus serviços, como explica Cassiano De Bernardis: “Nesse cenário, até mesmo o clipping tradicional passou por uma reconfiguração. De ferramenta operacional, voltada à coleta de notícias, ele evoluiu para um modelo de inteligência de mídia, que integra monitoramento, análise e identificação de tendências. Por isso, nosso foco tem sido o de nos posicionarmos como facilitadores do aperfeiçoamento da gestão dos clientes, sejam as empresas que nos contratam ou as agências contratadas que demandarão os nossos serviços”. Mas além de contar com o apoio de ferramentas tradicionais, como as oferecidas pela Sinopress e outras empresas do setor, algumas agências estão se movimentando e investindo em estruturas próprias para atender às demandas ligadas à inteligência de dados. A GBR, por exemplo, em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipesp), lançou em 2024 a Datrix. “É uma nova empresa, que trouxe para o mercado modelos de análise, com aplicação de IA e tecnologia de ponta. Hoje, os clientes podem contar com toda a nossa estrutura digital e um ecossistema robusto de inteligência, no apoio desde gestão de crises até a escolha de influenciadores para campanhas digitais”, explica Danusa Etcheverria. Lançado há pouco mais de dois anos, o IC Image Booster, da Imagem Corporativa, é outro exemplo de ferramenta proprietária de uma agência criada para avaliar a comunicação de seus clientes com base em dados. Para liderar a plataforma, criada em parceria com a Stack Tecnologies, a agência trouxe para sua equipe o diretor de Pesquisas e Tendências Alessandro Janoni, que atuou por mais de três décadas no Datafolha. “Mas gosto de deixar clara uma premissa que nos orienta: dados por si sós, sem contexto, não são inteligência e sim ruído”, alerta Ciro Dias Reis. “O Dificuldade em mensurar resultados (42,3%) e a falta de pessoal especializado (34,6%) estão entre os maiores obstáculos ao sucesso das iniciativas de comunicação. Fonte: Pesquisa And, Trends 2026 – And, All
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