Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026

Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 295 diferencial não está no volume de informação que coletamos, mas na capacidade de interpretar o que os números dizem dentro de um cenário específico, para um cliente específico, com objetivos específicos”. Por isso, só o investimento em tecnologia não é suficiente. É imprescindível que haja também um olhar mais cuidadoso para a formação de pessoas e a retenção de talentos, como alerta a pesquisa And, Trends 2026. Ao questionar os executivos das empresas sobre em quais frentes eles pretendem investir mais em relação ao uso de dados, 46,2% responderam que seria em treinamento de equipe. Esse foi o segundo quesito mais citado, atrás apenas do investimento em ferramentas de análise de dados (57,7%). “Encontrar profissionais capazes de atuar na intersecção entre dados, comunicação e tecnologia continua sendo um grande desafio para o setor”, explica Patrícia Lucena, da And, All. “Trata-se de um campo emergente na comunicação corporativa. Essa constatação reforça a visão de que o mindset data-driven precisa estar presente em toda a agência. Em vez de centralizar o conhecimento apenas em uma área, focamos na disseminação dessa cultura, com um time especializado e com a área de Data Strategy atuando como suporte técnico e, ao mesmo tempo, como catalisador para que o uso de dados seja integrado em todas as etapas da nossa operação”. Já na pesquisa da Aberje, que traz um recorte voltado ao uso de IA atrelado a dados e métricas, a preocupação com a formação dos colaboradores é ainda maior. Para 66% dos executivos, o principal desafio para integrar a inteligência artificial de forma estratégica no uso de dados é justamente a falta de conhecimento e habilidade das equipes. “Apesar do avanço tecnológico do setor, o fator humano ainda é o mais importante dentro de todo o processo”, afirma Carlos Ramello, da Aberje. “Acredito que estamos evoluindo no uso da IA a nosso favor, especialmente para questões complexas em que a tecnologia é capaz de resolver e fornecer informações de maneira mais rápida e profunda, enquanto a parte estratégica e o contexto à realidade cabem aos profissionais do setor”. “Eu diria que é falsa a dicotomia entre inteligência humana e inteligência artificial”, acrescenta Otávio Ventura, da Cortex. “Prefiro sempre falar de inteligência aumentada, que é quando você utiliza a IA para conseguir fazer melhor aquilo que faria como humano, algo que te economiza tempo e te permite pensar além”. Inteligência artificial como aliada Mas como conciliar inteligência humana e artificial, em busca da tal inteligência avançada defendida por Otávio Ventura, da Cortex? A pesquisa And, Trends aponta para um diagnóstico claro: ainda que o mercado tenha avançado na adoção de tecnologia, as bases humanas e estruturais da inteligência de dados não estão

RkJQdWJsaXNoZXIy NDU0Njk=