Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 301 ponto de vista ideológico ou mercadológico. Com o grande volume de notícias e de dados disponíveis, as pessoas carecem de referências”. O conceito de “curadoria da realidade” é proposto por William Maia, diretor de Atendimento e Comunicação Digital do Grupo CDI, que ocupa a 12ª posição no Ranking por Faturamento das Agências de RP/Comunicação Corporativa deste Anuário. Segundo ele, a adoção da estratégia de thought leadership e a ocupação de hiatos de silêncio deixados pela concorrência são impreteríveis: “Acreditamos que ser um líder de pensamento deixou de representar opção para se tornar uma necessidade de sobrevivência. Vivemos na era de ‘infobesidade’ e de crise severa de confiança nas instituições tradicionais. O público contemporâneo não se conecta mais com logotipos impessoais; as pessoas buscam rostos, vozes e opiniões claras, que as ajudem a filtrar a complexidade do mundo. Nesse cenário, o executivo atua como um curador de realidade. Se uma liderança opta pelo silêncio, ela permite que o mercado ou a concorrência preencha esse vácuo, perdendo a oportunidade de ser a bússola que orienta seu segmento ou indústria”. O cenário da hiperconectividade e da convergência tecnológica digital direciona a trajetória do thought leadership, segundo a comunicóloga Pollyana Miranda, CEO da Deck, consultoria estratégica de influência da FSB Holding, que atua para conectar marcas a vozes legítimas, transformando presença digital em ativo de negócio: “É a nossa maior oportunidade. Em um mar de ruídos, quem fala com clareza e autoridade torna-se um ‘deck seguro’. O excesso de informação gera uma demanda por curadores de confiança. Quando uma marca ou uma empresa consegue silenciar o ruído e trazer a conversa para o que realmente importa, ela se destaca imediatamente”. Nesse sentido, a profissionalização da técnica de thought leadership tem ganhado cada vez mais relevância no ambiente corporativo, na opinião de Caroline Mendes, diretora de Atendimento da 2PRÓ Comunicação, com sede em São Paulo: “Vivemos em uma época de muito barulho. Há muita coisa sendo dita continuamente. Todos os dias surgem novos especialistas. Executivos bem-preparados destacam-se nesse ambiente e amplificam a voz da organização, considerando a reputação também no longo prazo”. A difusão do conhecimento A lógica da reputação corporativa está ancorada na conquista da autoridade intelectual, que confirma o alto nível de conhecimento da respectiva área de atuação pelas marcas, executivos e empresários, segundo as prerrogativas do programa de thought leadership. Organizações e instituições, em princípio, reúnem elevada qualidade de conhecimento e repertório acumulados. Boa parte mantém ainda programas de parceria com universidades e instituições de pesquisa. Não falta informação qualificada para ser partilhada com stakeholders e, assim, demonstrar confiança. “O consumidor tem estado mais atento à credibilidade das marcas. Procura informar-se sobre os propósitos, interesses e as pessoas que estão à frente da organização. A aplicação da estratégia de liderança de pensamento faz muita diferença no momento de escolha do consumidor”, afirma Paulo Moura, da Virta. A revelação do thought leader diante dos públicos e, claro, dos concorrentes requer ainda coerência entre as mensagens institucionais e os William Maia, do Grupo CDI: Público contemporâneo não se conecta mais com logotipos impessoais; as pessoas buscam rostos, vozes e opiniões claras que as ajudem a filtrar a complexidade do mundo
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