Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 303 estratégicos”, afirma Marcos Facó, diretor de Comunicação e Marketing da Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro. Capacidade exigida também das agências de RP, parceiras de empresas e indivíduos nessa trajetória rumo ao topo das ideias. “Se o líder de pensamento está na vanguarda, a agência também deve estar na vanguarda desse processo de comunicação. Compreender a lógica do algoritmo, por exemplo, é habilidade importante para a expressão da autoridade da marca e a conexão com a audiência”, assinala Carolina Mendes, da 2PRÓ. Na opinião de Paulo Moura, da Virta, o thought leadership está na origem do trabalho de relações públicas: “Trata-se de estratégia multisciplinar. As oportunidades do ambiente digital fizeram extrapolar a atividade de assessoria de imprensa. Não basta ser referência na imprensa. Temos o LinkedIn, as publicações internas, os eventos. Envolve toda a área de comunicação corporativa, de relações institucionais”. O thought leadership representa alicerce para a reputação de executivos e organizações, fazendo- -se presente em todas as áreas das agências de comunicação corporativa. “Na NOVA PR, o thought leadership ocorre na integração estratégica entre digital, conteúdo e PR”, assinala Tiago Lethbridge, sócio-fundador da agência, com mais de 50 clientes de diferentes setores. “Estruturamos a agência de modo que quase todos os nossos clientes de digital também são clientes de PR, garantindo a sinergia de comunicação. As equipes trabalham juntas. Cada profissional com sua especialidade, mas com diálogo constante entre as áreas e conhecimento profundo do cliente”. Tal integração e estrutura de articulação das equipes permite presença multicanal de empresas e marcas: “O que nasce como debate no LinkedIn pode se desdobrar em um artigo de opinião em um grande veículo, e a entrevista concedida à imprensa pauta a narrativa digital da semana”, acrescenta Lethbridge. O tom da comunicação exige experiência da equipe, segundo o sócio-fundador da NOVA PR: “Para que essa engrenagem funcione, a senioridade da equipe é fundamental. É a bagagem analítica de um time experiente que consegue identificar os riscos de exposição, equilibrar o tom de voz corporativo com o pessoal e conectar a visão do executivo à dor real do mercado”. William Maia, do Grupo CDI, endossa a afirmação de que a estratégia de thought leadership tomou conta do planejamento de comunicação corporativa: “Hoje, a liderança de pensamento não é mais um ’puxadinho‘ tático, mas o centro estratégico de muitos planos de comunicação. Essa participação tem crescido exponencialmente porque os algoritmos das redes sociais privilegiam perfis de pessoas físicas em detrimento de páginas corporativas, entregando um alcance orgânico muito superior. Somado a isso, a pressão pelas agendas de ESG e propósito exige que as promessas institucionais sejam personificadas. O mercado quer ver o compromisso real do líder com as causas que a empresa defende, e a liderança de pensamento é a ferramenta mais eficaz para demonstrar essa coerência de forma contínua e autêntica”. Paulo Moura, da Virta, completa: “A estratégia de thought leadership tem entrado cada vez mais no planejamento. Em alguns serviços, ela já é parte intrínseca e não é preciso fazer a opção. Em alguns casos, nós já não conseguimos trabalhar sem as orientações dessa estratégia multidisciplinar”. Apesar do “oceano de oportunidades”, a era da incerteza persiste. “O caminho para esses executivos é buscar fundamentos humanistas e, acima de Pedro Cadina, da Vianews: Não são todos que estão preparados ou podem alcançar a liderança de pensamento; se não há posições originais e o pretenso líder não é sensível ao debate e a posições adversas, não haverá liderança
RkJQdWJsaXNoZXIy NDU0Njk=