Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026

Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 309 de conhecimento Proprietários de seus canais de mídia, os líderes editoriais mantêm posição de primazia intelectual nas respectivas áreas de negócios. Não apenas participam do debate, mas geram discussões quando são compreendidos como autoridade de pensamento nas questões que requerem aprofundamento, atuando como referências na análise de causas, consequências e divergências de temas pertinentes ao desenvolvimento do setor do qual fazer parte. Neste contexto de relevante expressão e influência da marca no debate público, a execução do brand publishing resulta ainda na formação de hub de conhecimento, reunindo todo o repertório profissional da organização, transformado ao longo dos anos, e colocado à disposição da sociedade. Trata-se, portanto, do pensamento da marca reunido e registrado em uma única plataforma. “Na Sociedade da Informação, as marcas que têm autoridade técnica, comercial e conceitual devem virar um publisher legítimo de seu segmento. A rentabilidade e visibilidade do investimento em comunicação editorial vão se transferir, em boa parte, para a mídia proprietária, naturalmente”, escreve o jornalista Paulo Henrique Ferreira, sócio fundador e diretor executivo da Barões Brand Publishing, no livro Brand Publishing e Transição Midiádica, de sua autoria, lançado em 2022. A construção de audiência robusta e qualificada depende, dentro da estratégia de brand publishing, de processos de produção, curadoria e distribuição de conteúdo apropriados aos objetivos da marca, sob plataforma proprietária que reforce ainda a vocação para a transparência. Para seguirmos no tema da articulação entre brand publishing e thought leadership na comunicação corporativa, façamos, então, uma breve leitura do passado recente para o entendimento do impacto da chamada transição midiática, iniciada no final do Século XX, no diálogo das marcas com seus respectivos públicos, segundo o diretor executivo da Barões: “Durante muitos anos, as marcas delegaram à imprensa a posição de participação no debate público. A publicidade sustentava esta imprensa, concentrada em pequenos grupos familiares. A marca chegava, então, à sociedade de diversas maneiras, mas não liderava o debate porque não expressava, dentro desse sistema de comunicação, exatamente a atitude de liderança de pensamento. Nesse processo, com o envolvimento da publicidade, tratava-se do uso da persuasão. Para participar do debate com atitude de liderança é preciso ser transparente e ter propósitos legítimos”. Nesse novo rearranjo dos modelos (ou sistemas) de comunicação, alterando profundamente os hábitos da sociedade para a assimilação de informação, colocamos sob questão o perfil das marcas qualificadas para interagirem agora como líderes intelectuais. “Nem toda marca será líder de pensamento. Não haverá liderança se todos forem líderes”, afirma Ferreira. “Aquelas que serão thought leader têm impacto na sociedade, inerente à

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