Anuário da COMUNICAÇÃO CORPORATIVA | 2026 59 Dulcemar da Costa, CEO da BH Press Comunicação e Sustentabilidade Juntar “lé com cré” para produzir diferença Em um tempo em que tudo parece já ter sido dito – e, ainda assim, pouco parece realmente compreendido –, talvez o maior desafio da comunicação não seja falar mais, mas fazer sentido. Este é o primeiro ano da BH Press Comunicação e Sustentabilidade como agência 30+. Ultrapassar essa marca, para um empreendimento de médio porte no Brasil, não é trivial. Escrevo a poucos dias de mais um aniversário – sempre uma boa oportunidade para alguma reflexão, ainda que breve. Entramos nos 30+ em um mundo atravessado por mudanças profundas: da emergência climática às novas dinâmicas geopolíticas, passando por uma revolução tecnológica que atende pelo nome de inteligência artificial generativa. Vivemos um tempo de transição, em que as perguntas ainda superam as respostas. A IA vai roubar nossos trabalhos? Os agentes de IA vão nos escravizar? Ou serão aliados? Difícil saber aonde isso vai dar. E talvez esse não seja o ponto central. Foi nesse contexto que me lembrei de uma pergunta recorrente do meu sogro, com a curiosidade que lhe era própria: “O que a BH Press faz?”. À época, eu respondia listando entregas – jornais, relatórios, pautas, campanhas. Tudo correto, mas incompleto. Hoje, responderia de forma mais simples e, ao mesmo tempo, mais precisa: o que fazemos, todos os dias, é juntar “lé com cré”. Ou seja, produzir conexões e construir sentido em cenários onde os elementos estão dados, mas não necessariamente articulados de forma evidente. Nosso trabalho começa na leitura atenta de um ambiente complexo, muitas vezes contraditório, saturado de dados. A partir daí, buscamos identificar pontos de convergência entre o que um negócio oferece – seus produtos, serviços e, sobretudo, seu propósito – e as pessoas, entendidas como sujeitos em uma realidade concreta, com demandas reais, e não apenas como clientes, consumidores ou colaboradores de uma marca. É desse encontro entre propósito e relevância que buscamos extrair o significado que compõe o território simbólico onde a comunicação precisa atuar. Não se trata apenas de informar ou promover, mas de traduzir, conectar e tornar inteligível o valor que uma organização efetivamente entrega ou, em outras palavras, a diferença que ela faz. Como agência que também se orienta pelos princípios da sustentabilidade e carrega a certificação B Corp, esse exercício ganha uma camada adicional de responsabilidade. Nosso território de criação é, por definição, o território da sustentabilidade – entendido não como discurso, mas como prática que precisa fazer sentido para o negócio e para a sociedade. No fim, talvez seja isso que distingue uma comunicação relevante: a capacidade de organizar sentidos em meio ao ruído. Juntar “lé com cré” não é simplificar a complexidade, mas torná-la inteligível – de forma legítima, responsável e conectada à realidade das pessoas.
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